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10 de outubro de 2016

JUSTIÇA - Injúrias e Facebook levam benfiquistas a julgamento



Está marcado para meados de Novembro o julgamento de seis adeptos do Benfica, acusados, um deles, por injúria a um militar da GNR, e outros cinco por terem ofendido a instituição, através de comentários na rede social Facebook.

O episódio passou-se no dia 16 de Fevereiro de 2014, cerca das 18h55, junto à Casa do Benfica de Penacova, que então era situada na Avenida 5 de Outubro, junto ao agora inexistente balcão do BPI. Neste dia, um domingo, tinha-se iniciado, às 17h00, o jogo contra o Paços de Ferreira, que o clube da Luz acabaria por vencer por 2-0.

Pelas 18h55, uma patrulha da GNR resolveu identificar, anotando as matrículas, os oito automóveis que encontrou mal estacionados, o que motivou uma reacção “vigorosa” por parte de um homem de 62 anos, residente em Vila Nova, que é agora acusado de dois crimes de injúria agravada.

De acordo com o Ministério Público, o homem, ao aperceber-se de que os militares estavam a apontar as matrículas, para eventual auto de contra-ordenação, e já quando estes estavam dentro da viatura, a sair do local, gritou “«palhaços, chulos, vão mas é trabalhar».

Os dois guardas pararam o carro ouvindo novamente «sãos uns chulos, uns palhaços». Um deles agarrou no braço do homem e terá dito para lhe chamar o nome que tinha dito antes – isto segundo algumas testemunhas do processo de instrução -, sendo que o homem, já com antecedentes de doença cardíaca, sentiu-se mal e acabou por ficar prostrado no chão, tendo sido transportado para os Hospitais da Universidade de Coimbra, onde foi operado de urgência ao coração.

O homem apresentou queixa contra o militar que o abordou, dizendo que o tinha agredido com um murro no peito, tese que o Ministério Público não acolheu, depois de ouvir várias testemunhas que estavam no local. Assim, este indivíduo, vai ser julgado por dois crimes de injúria agravada.

No banco dos réus vão estar mais cinco pessoas, todas acusadas de um crime de Ofensa a Organismo, Serviço ou Pessoa Colectiva, devido a comentários ofensivos à instituição Guarda Nacional Republicana, efectuados no Facebook nos dias seguintes.

Trata-se do filho do indivíduo que terá proferido as injúrias, um homem de 32 anos, também residente em Vila Nova, uma rapariga de 30 anos, residente na Cheira, bem como um casal de 59 e 56 anos, assim como outro penacovense, de 69 anos, que tem residência oficial em Oeiras.

A acusação transcreve os comentários, como «nem a um animal se faz o que fizeram. Por mais razão que tenham não se faz... mas continuem a passar multas ao domingo à noite e deixem andar os ladrões a roubarem e traficarem», ou, «esta GNR é uma vergonha... Vale mais fecharem a merda do posto».

Trata-se de apenas de dois exemplos das várias publicações, com texto e imagem, efectuadas pelos cinco arguidos, e que motivaram a acusação também a estes elementos.

José Carlos Salgueiro - Diário de Coimbra

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