REGIÃO - Mais de metade dos municípios não cumpriram normas de gestão territorial



A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) “chumbou” mais de metade das candidaturas a um concurso lançado, em maio, ao Programa Operacional Regional do Centro 2020, no âmbito do planeamento de infraestruturas de acolhimento empresarial. Os beneficiários – ou candidatos – eram autarquias, empresas municipais e associações de municípios.

“Foram apresentadas 58 candidaturas: mais de metade não cumpria os instrumentos de gestão territorial.

Eram candidaturas a um aviso de concurso para as áreas de localização empresarial, em que uma das condições de admissibilidade era o cumprimento dos instrumentos de gestão empresarial”, disse ontem Ana Abrunhosa, presidente da CCRDC.

“Era uma condição de admissibilidade: ou seja, se a candidatura não cumpre [esse requisito] nem sequer é admitida”, notou.

Em causa, de acordo com a responsável, estavam questões relacionadas com o não cumprimento das normas do PDM ou com projetos previstos em reserva agrícola nacional ou em reserva ecológica nacional. Além disso – adiantou – “havia candidaturas que não cumpriam os processos concretos de licenciamento: como, por exemplo, terem um plano de pormenor”.

“Estou a falar de áreas de localização empresarial que são projetos promovidos pelos próprios municípios”. Ora, de acordo com Ana Abrunhosa, o cumprimento desses instrumentos de gestão empresarial são aplicadas pelos próprios municípios a qualquer investidor privado ou público que queira exercer uma atividade económica. “Não pode, por exemplo, construir um lar onde lhe apetecer na cidade de Coimbra. O PDM delimita. Tal como não pode construir, onde lhe apetecer, determinadas indústrias em qualquer sítio. Portanto, as câmaras têm isso previsto nos seus instrumentos de gestão territorial”, advertiu.

Workshop temático

Foi para esclarecer dúvidas sobre o novo Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial que a CCDRC, promoveu ontem, em colaboração com a Direção-Geral do Território (DGT), um workshop temático. E fê-lo precisamente com quem vai “aplicar as regras”: os representantes dos municípios.

A sessão contou com a presença de Rui Alves, diretor-geral da DGT, tendo-se seguido um debate sobre as principais inovações introduzidas pela alteração legislativa, moderado por Jorge Carvalho, professor da Universidade de Aveiro. A sessão de encerramento da sessão esteve a cargo de António Veiga Simão, vice-presidente da CCDRC.

Patrícia Cruz Almeida – Diário As Beiras

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