ENTREVISTA - Fernanda Veiga fala sobre a evolução de Penacova e das novidades que irão surgir no ano que se avizinha - PENACOVA ACTUAL

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28 de dezembro de 2016

ENTREVISTA - Fernanda Veiga fala sobre a evolução de Penacova e das novidades que irão surgir no ano que se avizinha

Fernanda Veiga é vereadora do Município de Penacova com a tutela da Cultura, do Património, do Associativismo e do Turismo. É da freguesia de Lorvão e algumas das suas características mais marcantes são a capacidade organizativa, a forma como motiva os seus colaboradores, a simpatia, a energia, a gestão criteriosa, o amor ao Concelho de Penacova e a disponibilidade para as causas públicas.

Hoje fala um pouco sobre a marca que imprimiu na Cultura do Concelho mas também na visão do Executivo para a Regeneração Urbana, que irá operar-se em Penacova. Foi justamente por aí que iniciámos esta entrevista.



Caminhamos por este País fora e vemos muitos centros históricos degradados, espaços descuidados e pouca intervenção urbana. E quanto a Penacova?

Nas últimas décadas o Município não acautelou nem teve a visão que o conduzisse à implementação de medidas estruturadas e sustentáveis para intervir simultaneamente ao nível da dignidade da estrutura urbana, do valor do património, do abandono populacional e na conquista de uma atractividade moderna, equilibrada e pensada para as pessoas. Quando este Executivo tomou posse, algo que nos causou alguma perplexidade foi o facto de o Município ser desde há muitos anos associado da AMCH (Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico) e nunca até então se ter debruçado sobre este tema com um plano estratégico.

Os cidadãos manifestam essa inquietação?

O Município de Penacova comunga das preocupações gerais dos Munícipes para com a degradação do seu património e, consequentemente, a desertificação dos centros históricos.

O Centro de Penacova está renovado, o estacionamento foi resolvido com menores custos e sem impacto na paisagem, o espaço para usufruto dos cidadãos aumentou, o tribunal não saiu do Concelho e foi instalado com aproveitamento de uma antiga escola primária...

A intervenção no património edificado, conservação e reabilitação continua para nós a ser urgente. Contudo, essa intervenção é de tal forma preponderante e impactante que deve ser sempre precedida de um plano estratégico que integre o espaço público e o privado, equipamentos, e uma adequada leitura tendo em conta a história patrimonial.

O que está a ser feito nesse sentido?

Depois da aprovação da primeira revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), criámos as condições necessárias para esse plano estratégico de intervenção urbana.

Quais os objetivos traçados no relatório do PDM?

O relatório afirma, quanto aos seus objetivos, ser determinante a fixação da população de acordo com as necessidades sustentáveis de desenvolvimento, dando-lhes condições de habitabilidade através da melhoria da acessibilidade e da implantação das infraestruturas básicas e equipamentos coletivos. Mas aborda também questões como a conservação da natureza, velando pela salvaguarda e proteção das paisagens e sítios, dos ambientes naturais e dos valores culturais, sendo para isso necessário fazer uma boa gestão dos recursos naturais.

Perante estas propostas do PDM, o que decidiu o Município fazer?

Como disse, quando iniciámos a nossa gestão não há tempo a perder para vencermos o atraso com que nos confrontámos. Vencemos já algumas lutas importantes. Lembro que deixámos de ser apenas notícia pelos acidentes no IP3, como outrora acontecia, e passámos a ser conhecidos por aquilo que somos e por aquilo que temos. Mas é preciso continuar a reforçar a centralidade de Penacova na Região Centro. Por isso avançámos com a proposta da Regeneração Urbana. Mas quisemos ir mais além, e achámos que esta proposta devia incluir os centros históricos de Penacova, Lorvão e S. Pedro de Alva.

É um plano arrojado…

O nosso objetivo passa também por operacionalizar um Plano de Ação de Regeneração Urbana (PARU), tendo em vista incentivar processos de requalificação urbana, criar e qualificar o emprego, ter mais e melhores condições industriais e empresariais, aumentar e melhorar as condições de apoio e suporte à prática turística, cuja atratividade deve ser promovida quer por Penacova mas também na rede em que se insere, como a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, preservar património imaterial mas também o natural e os edifícios históricos, fomentar a cultura...

Falemos então da concretização destes projetos…

Sendo nosso desígnio articular o desenvolvimento económico e social de uma forma sustentada e estando abertas as candidaturas no Programa 2020 só para as sedes concelhias, obviamente que o nosso trabalho sobre esta reabilitação desenvolveu-se mais na Vila de Penacova, para aproveitarmos os financiamentos, estando neste momento aprovadas as candidaturas no valor global do FEDER de 1.289.000,00 euros, para três projetos.

Que projetos são esses?

O primeiro, a lançar concurso já em janeiro de 2017, é relativo ao Parque Municipal (Ténis). O segundo, está em fase de elaboração de projeto e refere-se ao Parque António Marques (Parque Verde). Em terceiro lugar, a reorganização do projeto do Antigo Tribunal, de modo a acolher o Salão Nobre dos Paços do Concelho e o Centro de Artes Martins da Costa.

Esta é a primeira fase, e a seguir…

Numa segunda fase teremos a tão falada ligação ao Rio. Esta ligação constitui uma oportunidade única de potenciar o desenvolvimento turístico, um dos grandes constrangimentos desse desenvolvimento consiste na barreira que existe entre a vida urbana da Vila e o Rio Mondego, que, como todos sabemos, a sua história está intrinsecamente ligada à criação da Vila de Penacova.

Há especialistas a trabalhar nisto...

A equipa incumbida da elaboração deste plano é liderada pelo Arquiteto Reis e Figueiredo. Esta equipa tem larga experiência em reabilitação e estratégia urbana, sendo ainda apoiada por uma equipa de engenheiros bastante conceituada.

Há vantagens para os Munícipes? Será para eles uma boa oportunidade?

Este programa de reabilitação urbana tem diversos incentivos fiscais e outros. Para um melhor esclarecimento das populações, o Município, em conjunto com a equipa técnica, vai no início de fevereiro de 2017 promover sessões de esclarecimento de forma a informar e a dirimir todas as dúvidas. O calendário é o seguinte: no dia 3 de fevereiro, em S. Pedro de Alva. No dia 10 de fevereiro, em Penacova. E no dia 17 de fevereiro em Lorvão.

O que deseja para o Concelho neste Natal e para o próximo Ano Novo?

Desejo essencialmente Paz e Concórdia entre todos os Penacovenses. Para o próximo ano e seguintes desejo que continue o caminho traçado por este Executivo, que é do desenvolvimento sustentado e coeso entre a sede de Concelho e todas as Freguesias, e que não haja reversão neste desígnio que sustentada e paulatinamente temos conseguido.

Sente satisfação quando elogiam a qualidade cultural de Penacova?

Sinto sobretudo o reconhecimento pelos colaboradores que temos e pelo merecimento dos agentes, como associações e grupos. Quanto a mim, mantenho a humildade e procuro dar o meu melhor. As pessoas é que devem ajuizar...

Mas que ecos são dados?

É conhecido e reconhecido por todos os Penacovenses que a Cultura em Penacova está ao nível de qualquer bom Concelho da Região. Apesar de a nossa acção ter apenas sete aninhos, podemos comparar a nossa atividade cultural de muitas maneiras. Por exemplo, ao nível dos utilizadores da Biblioteca Municipal, observando o nosso fundo documental de 2009, que tinha apenas 4.000 livros, passou para os 22.000 livros em 2016. Ou os 20.868 utilizadores da Biblioteca, fruto do dinamismo que nos tem caracterizado. Isto e muito mais podem os nossos Munícipes encontrar no Site da Rede de Bibliotecas de Penacova.

Penacova tem vindo a destacar-se ao nível económico e financeiro, mas também cultural…

O projeto “Memórias de Penacova” é um exemplo disso, sim. Em 2016 fomos à fase final da candidatura de “Município do Ano”. Os palitos foram reconhecidos como património Cultural Imaterial de Portugal. Vimos em 2015 o livro do Apocalipse ser reconhecido pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade. No início de 2017 também daremos mais um passo importante no serviço de apoio à Comunidade, com a Bibliomóvel.

Para se saber como estávamos antes e como estamos hoje, é preciso ter dados concretos e fazer comparações…

Sim, não podemos afirmar coisas vazias. Podemos comparar a programação contínua do Centro Cultural, podemos comparar a programação do Mosteiro de Mosteiro de Lorvão, podemos comparar, por exemplo, a Feira do Mel e do Campo que temos feito, com o magusto de 2008… Já não podemos é comparar as Festas do Município, pois éramos o único Concelho na Região que não tinha esse encontro importante de alegria e confraternização entre todas as freguesias e associações.

E quanto à divulgação gastronómica?

Também os festivais gastronómicos foram alargados de modo a promover outros produtos endógenos para além da lampreia. Temos os sabores do rio, os míscaros e sarrabulho e, durante dezembro, o cabrito e a chanfana.

O Município tem vindo a explorar a fileira do Buçaco…

Criámos o grande projeto dos Caminhos da Batalha do Buçaco. Este é um projeto turístico-cultural, que já tem a sua marca consolidada e, com as parcerias que temos com os Municípios de Mortágua, Mealhada, mas também com a Fundação Mata do Buçaco, assim como com as empresas ligadas ao Turismo, teremos muitos turistas com interesse nesta parte da nossa história, aliada às paisagens magníficas que foram
palco destes acontecimentos em 1810.

O Município tem em carteira a dinamização dos seus espaços com vocação museológica…

Depois da aquisição, há dois anos, da casa que foi de António José de Almeida, que hoje é propriedade do Município, e que estamos a iniciar a recuperação, e também após a excelente obra feita no Museu-Moinho Vitorino Nemésio, caminhamos para, no futuro, termos a rota dos nossos museus do Concelho, onde podemos incluir outras temáticas como os Fornos da Cal, a Casa da Freira, reativando aquela casa alusiva ao Rio Mondego, o extraordinário património de Lorvão...

Em que pé está o Museu de Lorvão?

É nosso objetivo inaugurar o Museu de Lorvão em 2017. Depois de concluído em 2013, este espaço Museológico continua fechado. O Município contemplou no seu orçamento para 2017 verba para fazer face não só à musealização do espaço como para criar

condições de acessibilidade ao museu e à própria igreja. Estamos a estabelecer protocolos com a Diocese de Coimbra e Paróquia de Lorvão para, em conjunto, trabalhar todo o acervo que vai fazer parte da Musealização. A par disso, temos também concluída e aprovada pelas diversas entidades a regeneração do espaço público da Vila de Lorvão, condição essencial para que todo o conjunto tenha a atratividade digna do grande e maior monumento do Concelho de Penacova.

Uma obra marcante e de sucesso prende-se com a Escola de Artes de Penacova…

Este projeto, que conta com um grande esforço financeiro do Município, é um dos grandes investimentos que o setor público pode fazer. Estou certa de que, se não for interrompido, dentro de cinco anos dará um enorme orgulho aos penacovenses. Hoje, os jovens de Penacova podem dizer, onde quer que estejam, que têm as mesmas oportunidades de seguir a sua carreia musical e artística, ou até melhores, do que qualquer jovem de Coimbra, Porto ou Lisboa. É um facto indesmentível. É um orgulho para todos e merece o nosso apoio.

É uma maneira de estar…

É com estas apostas no nosso potencial humano que queremos estar, sem vaidades mas em igualdade e capacitação, com aqueles que no futuro profissional e pessoal nos teremos forçosamente de cruzar.