PORTUGUESES NO ESTRANGEIRO - Cientistas no mundo são embaixadores de Portugal - PENACOVA ACTUAL

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

29 de dezembro de 2016

PORTUGUESES NO ESTRANGEIRO - Cientistas no mundo são embaixadores de Portugal



O Presidente da República considera que o papel dos cientistas e investigadores portugueses no mundo é de embaixadores, particularmente qualificados. «É uma evidência», realçou ontem em Coimbra Marcelo Rebelo de Sousa, ao intervir no 5.º Fórum Anual da GraPE (Graduados Portugueses no Estrangeiro), acrescentando que esta nova mobilidade qualificada tem «responsabilidade» acrescida, que funciona como «um factor decisivo para o futuro de Portugal».

«Ser embaixador é funcionar nos dois sentidos: trazer para Portugal o que há de melhor onde se desenrola a vossa actividade e, por outro lado, levar para esses países o que Portugal é hoje e o que quer ser no futuro», frisou, ao dirigir-se aos graduados. Numa palavra de «esperança» e de «confiança» aos cientistas portugueses que andam pelo mundo, Marcelo Rebelo de Sousa não tem dúvidas de que são um «exemplo» e portadores de qualificação de «prestígio internacional».

Numa análise à situação actual de Portugal e do mundo, o Presidente considera que neste momento se assiste a «uma verdadeira revolução» e, nesta matéria, o nosso país tem «trunfos estratégicos» ou não estivesse habituado a estar presente em «muitos universos da diáspora». Aliás, para o chefe de Estado, esta presença no mundo terá sido decisiva para a eleição de António Guterres como secretário-geral das Nações Unidas.

Por outro lado, neste contexto de mudança, que coincide com «novo ciclo da vida internacional», com «uma vivência diferente com a administração norte-americana», uma Europa que precisa de se definir ou o protagonismo diferente no relacionamento com a federação russa, Marcelo Rebelo de Sousa prevê que a missão de António Guterres será «bem difícil».

Com a certeza de que, ainda assim, relativamente ao futuro de Portugal, existem «pontos positivos muito superiores aos obstáculos», o Presidente da República lamentou que a justiça continue a ser «um problema», sobretudo nas áreas especializadas.

«Uma justiça lenta é um travão enorme» que condiciona sectores económicos, sociais e até culturais, alertou, não colocando em causa a qualidade dos profissionais. A justiça «não é um domínio irrelevante numa sociedade que se quer diferente», reforçou, ao deixar o exemplo de que, ainda por estes dias, promulgou um diploma legal sobre o mapa judiciário, que se trata de uma segunda reforma em menos de cinco anos.

O reitor da Universidade de Coimbra afirmou ontem que um dos grandes problemas do país não é a fuga de cérebros portugueses, mas a reduzida capacidade de atrair outros para Portugal.

Há uma dificuldade do país em atrair cérebros, «quer dos portugueses que foram para fora, quer de pessoas de outras nacionalidades», notou João Gabriel Silva, que falava durante a sessão de abertura do 5.º Fórum Anual de Graduados Portugueses no Estrangeiro (GraPE), que decorreu no auditório da Reitoria.

Para o reitor da Universidade de Coimbra, é fundamental que Portugal adquira «capacidade de fixar e de atrair muitos dos portugueses que estão actualmente no estrangeiro», visto que o desenvolvimento do país depende do conhecimento.

Mas, para que isso aconteça, não depende «apenas do reconhecimento dessa necessidade», mas também «de recursos para o poder fazer», continuou.

Dirigindo-se para uma plateia onde estavam presentes investigadores e cientistas portugueses que trabalham no estrangeiro, João Gabriel Silva sublinhou que Portugal «e o seu futuro vai depender da contribuição que os novos estrangeirados queiram e possam dar ao desenvolvimento do país». Ainda durante a manhã, numa sessão sobre mobilidade, o sociólogo Pedro Góis referiu que não concorda com a expressão fuga de cérebros. Na sua opinião, há uma «barreira que foi derrubada» com a saída para o estrangeiro, com os portugueses a provarem que «são capazes de vencer lá fora».

Reitor considera que fuga de cérebros não é mau

O ministro da Ciência afirmou ontem em Coimbra que relatórios mostram que a passagem das universidades a fundações é positiva, mostrando-se «confiante» no casos que já existem em Portugal de universidades que optaram pelo regime fundacional.

«Hoje temos a certeza que [o debate da transformação de universidades em fundações] é um debate muito positivo, face à transição para o regime fundacional. Devemos estar confiantes nos casos que temos e nos casos que poderão vir», referiu o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, que falava aos jornalistas à margem do 5.º Fórum Anual de Graduados Portugueses no Estrangeiro (GraPE).

O membro do executivo sublinhou que os relatórios na posse do Governo mostram que o regime fundacional «é uma forma muito positiva», vincando que outros países europeus que usam o regime fundacional encaram-no como «uma forma particularmente importante para reforçar a autonomia das instituições académicas e científicas».

Ministro vê com bons olhos regime de fundação
O ministro informou que entregou ontem «essa matéria ao Conselho Coordenador do Ensino Superior», que tem uma comissão que está a analisar o regime jurídico, para se dar capacidade para as universidades terem «um regime fundacional também como um exemplo de dignificar o ensino superior».

«É uma tendência na Europa de validar e credibilizar a autonomia das instituições científicas, dando nalguns casos específicos a capacidade de deter um regime próprio de contratação», notou Manuel Heitor.

Integração de portugueses é um bom caso de estudo

No GraPe participou também o ministro dos Negócios Estrangeiros, que defendeu que a integração dos portugueses em países estrangeiros, nomeadamente na Europa, é um bom caso de estudo. «A integração das comunidades portuguesas nas respectivas sociedades de acolhimento, quer na Europa, quer nas Américas e em África, mas sobretudo na Europa, é um caso exemplar que deveria ser estudado, num momento em que nós nos confrontamos tanto com problemas de integração e de relacionamento entre nacionais e estrangeiros por essa Europa fora», disse Augusto Santos Silva, à margem do fórum.

Patrícia Isabel Silva - Diário de Coimbra