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12 de janeiro de 2017

ACESSIBILIDADES - IP3 prejudicou ambiente mas retirou Penacova do interior

Próximo do litoral (a menos de 30 quilómetros de Coimbra), Penacova tinha, no entanto, características de território do interior, ficava longe de quase tudo e de quase todos, por falta de acessos.

O IP3, sobretudo o lanço entre o IC2, em Coimbra, e Porto da Raiva (Penacova), que entrou em funcionamento em 1991, foi "um dos fatores mais marcantes" da história das últimas décadas de Penacova, tal a melhoria que representou para as suas acessibilidades, sustenta o presidente da Câmara, Humberto Oliveira.
Até então, a "sinuosa, mas muito bonita", Estrada Nacional 110 (EN 110), que acompanha, pela margem direita, o rio Mondego, entre Coimbra e Penacova, era a principal via de acesso ao concelho, sublinha o autarca.
"São vinte e poucos quilómetros com duzentas e oitenta e tal curvas", recorda o presidente da Câmara de Penacova entre 1985 e 1997, Manuel Flórido, que percorria este trajeto diariamente, não raras vezes atrás de lentos e inultrapassáveis camiões.
O IP3 aproximou Penacova do resto do país, mas também lhe trouxe problemas, sobretudo para o ambiente e a paisagem, designadamente na Livraria do Mondego e na acentuada encosta fronteira à vila, refere Manuel Flórido, que, na altura, tentou convencer os decisores a construírem a via mais a norte.
Com a estrada, a Livraria do Mondego (escarpas xistosas do vale do rio que sugerem livros em prateleiras) perdeu o enquadramento paisagístico e ambiental e perdeu impacto enquanto cenário de atração turística.
Mas, os acessos a Penacova e àquela região eram tão maus (e a EN 110 estava tão sobrecarregada de tráfego) que o traçado do IP3 na região foi desenhado, em boa medida, em função dessa circunstância, explica Maurício Marques, que então era vice-presidente da Câmara e seria, depois, presidente (1997-2005).
"Em plena construção" da estrada "verificou-se que o traçado não era adequado" e junto à Livraria do Mondego, por exemplo, as fundações de uma ponte, sobre o rio, exigiram "toneladas e toneladas de betão" por causa de uma falha geológica, como mais tarde se veio a concluir, recorda o antigo autarca.
"Mas o balanço é positivo", entre as desvantagens e os benefícios da obra, estes sobrepõem-se, "sem dúvida", acrescenta.
"Hoje ninguém faria este IP sem quatro faixas de rodagem", reconhece Maurício Marques. Nem o quereria a passar à porta da vila, exemplifica Manuel Flórido.
Na altura em que foi construído, o IP3 resolveu, "sem dúvida", a maior dificuldade de Penacova, mas "hoje está claramente desajustado da realidade", afirma o atual presidente do município, Humberto Oliveira.
A ligação por autoestrada entre Coimbra e Viseu é "imperiosa", mas "não dispensa", simultaneamente, "a introdução de melhorias no IP3", designadamente na zona de Penacova, adverte Humberto Oliveira, sublinhando que a estrada continua a ser fundamental para toda a região.
A Assembleia Municipal de Penacova, por isso mesmo, aprovou, por unanimidade, no final de fevereiro, uma proposta exigindo a "reparação e beneficiação", com "caráter de urgência", do IP3 entre Coimbra e Penacova, via que é utilizada por "cerca de 18 mil veículos por dia", com grande percentagem de pesados de mercadorias e com "um nível de sinistralidade elevado".
Agência Lusa

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