MONDEGO - Cheias podiam ser evitadas mas vão continuar a existir - PENACOVA ACTUAL

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28 de janeiro de 2017

MONDEGO - Cheias podiam ser evitadas mas vão continuar a existir



Foi perante uma plateia a transbordar de gente que Alfeu Sá Marques, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) abordou, de forma científica e tecnológica, as cheias do Mondego, no âmbito do ciclo de seminários “A Bacia do Rio Mondego – 12 meses, 12 seminários”.

Pertencente ao grupo de investigação de bacias hidrográficas, na linha de hidráulica, recursos hídricos e ambiente, o também professor da Universidade de Coimbra disse, no Museu da Água, que «se não fosse a barragem da Aguieira, as cheias de Janeiro e Fevereiro do ano passado seriam bem piores», sustentando, no entanto, «que houve erros na gestão dos níveis de água da barragem».

O estudo sobre as cheias que inundaram algumas zonas de Coimbra apresentado recentemente conclui que os estragos podiam ter sido evitados caso se tivessem cumprido as normas de exploração da barragem da Aguieira, Penacova. Para Alfeu Sá Marques, «o problema teve a ver com as regras da operação de descarga da Aguieira, registando números muito elevados, atingindo 100 metros cúbicos por segundo, levando depois a debitar 450 metros cúbicos por segundo por turbina, juntando-se aos muitos metros cúbicos já existentes na bacia do rio Mondego, numa altura em que o S. Pedro também deixou de colaborar e não se mostrou amigo».

«Nos dias 4, 5 e 6 de Janeiro deveriam ter sido efectuadas descargas e não o fizeram, estando a bombear água por cima. No dia 7 foram seguidas as regras estabelecidas e as descargas, embora estivessem várias horas paradas, começaram finalmente a ser consumadas», referiu Alfeu Sá Marques, investigador da Universidade de Coimbra, instituição que, juntamente com a Universidade do Minho, participou no estudo das cheias de Janeiro de 2016, elaborado pela Ordem dos Engenheiros.

Afinal, de quem é a culpa das cheias no rio Mondego? Alfreu Sá Marques fez uma viagem no tempo para recordar as cheias de 1948, «as maiores de sempre», com mais de 4.100 metros cúbicos por segundo. A barragem da Aguieira foi edificada tendo em vista a correção de cheias,  criar regadios e produzir electricidade, «crescendo, todavia, as inundações urbanas, com particular ênfase na Baixa de Coimbra, Montemor-o-Velho e Fornos».

«Coimbra é pioneira em estudos de hidrologia urbana, impondo regras de impacto zero das novas construções. No entanto, é preciso falar francamente nos problemas, encontrar algumas soluções, estudando, porque  as cheias vão continuar com toda a certeza», concluiu o investigador.

Carlos Sousa - Diário de Coimbra