CONGRESSO - Bráulio Sousa abordou a temática das "feridas por arma de fogo" no V Congresso Internacional de Feridas


«Portugal não vive em cenário de conflito, mas acontecem cada vez mais traumas por arma de fogo», afirmou ontem Bráulio Sousa, natural de Penacova, (Travanca do Mondego), enfermeiro militar, que falava à margem do V Congresso Internacional de Feridas, que terminou na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.

Bráulio Sousa, que falou sobre “feridas por arma de fogo” para uma plateia de estudantes de enfermagem, já foi capacete azul da ONU e cumpriu missão em território libanês, junto à fronteira de Israel com a Síria. Conhece, portanto, cenários de guerra, mas alerta que não é preciso estar perante um grande conflito para se encontrarem traumas por arma de fogo. «Eu próprio, aqui,  no pré-hospitalar, já encontrei baleados», explicou o enfermeiro do Centro de Saúde Militar de Coimbra, sem dúvidas de que «onde há pessoas e há armas, isto (feridas por arma) é possível».

Aos jovens estudantes fez ver que não basta tratar da vítima e é preciso «ver a montante». Significa, esclareceu, que é necessário «saber de armas e munições» para melhor se avaliar o tipo de ferimento que é preciso tratar. «Há determinadas lesões internas que dependem do tipo de projéctil», exemplificou, alertando para um «fenómeno importante» que tem a ver com a cavitação - permanente ou temporária - que poderá provocar a existência de lesões «extremamente distantes do ponto de entrada (do projéctil)».

A temática das “feridas por arma de fogo”, concordou, é abordada nas escolas, nos cursos, nas formações, em alguns casos com alguma profundidade, mas, frisou, no geral o assunto é sumariamente tratado. «Genericamente é mais superficial», considerou.

Muito positiva é a «capacidade» de Portugal para a realização de cirurgia para controlo de danos, «cada vez mais a ser utilizada em contexto militar e em contexto de catástrofe». «Temos capacidade de o fazer numa situação de catástrofe», garantiu, falando da existência de bloco operatório num contentor e profissionais devidamente formados.

Ontem, segundo dia do Congresso Internacional de Feridas, falou-se ainda da importância das feridas no diagnóstico forense, cicatrização comprometida e experiências práticas em Portugal.


Margarida Alvarinhas - Diário de Coimbra

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