CRÓNICAS - Bruno Paixão apresenta livro “Prime Time is my Time” - PENACOVA ACTUAL
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28 de março de 2017

CRÓNICAS - Bruno Paixão apresenta livro “Prime Time is my Time”

Em entrevista, Bruno Paixão fala com a jornalista Lídia Pereira acerca do seu mais recente trabalho. Uma obra que reúne crónicas publicadas no DIÁRIO AS BEIRAS e que vai ser hoje apresentada, numa sessão a partir das 18H00, na cafetaria do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra



LP: A crónica é ainda, continua a ser – apesar do que de “tweet” passou a ser muita da “nossa” comunicação quotidiana –, um género singular. É o seu género singular de escrita e comunicação?

BP: Enquanto jornalista, o meu registo foi essencialmente o da reportagem e da notícia. Quando há uns anos me decidi pela vida académica, a minha referência passou a ser a aná- lise. Ao aceitar o estimulante desafio de exprimir regularmente a minha opinião, e partilhá-la com os leitores de um jornal diário, foi-me proposto um espaço de crónica. Este género permitiu que percebesse uma coisa fantástica: só através da escrita posso exprimir aquilo que realmente penso. A opinião é, por um lado, um risco. Por outro, torna-nos mais cívicos, as discordâncias fazem-nos crescer e motivam-nos, a crítica é estruturante para um pensamento são e democrático.

LP: Este seu livro reúne as crónicas publicadas no Diário as Beiras. Juntá-las, agora, porquê?

BP: Hesitei muito em fazê-lo. As crónicas foram publicadas no jornal, postas a circular nas redes sociais e não cultivo o hábito de as reler depois de lhes colocar um ponto final. Mas acontece que ao chegar aos cem artigos fui incitado a compilar alguns, sobretudo aqueles que provocaram maior ressonância entre os leitores. Percebi a interação das pessoas, recebi e-mails de gente que me lia noutras partes do país e do mundo, que por um motivo ou por outro corroborava ou contrapunha argumentos. Essa dimensão tem superado aquilo que era para mim expectável. Acomodei em capítulos temáticos as reflexões que julgo fazerem menção a este tempo marcante que atravessamos e ajudarão a estimular a contundência dos leitores e a desconstrução daquilo que tendemos a aceitar sem reservas. É preciso.

LP: Comunicação, jornalismo, política e cultura, os temas que, como diz, o estimulam à escrita. Não parecendo ou parecendo cada vez menos, isto anda, de facto, “tudo ligado”. Ou não?

BP: Sim. A sociedade é hoje caracterizada por uma profusão de redes que nos ligam, a partir de qualquer lugar, em qualquer instante. Nós somos vistos, ouvidos e lidos, bastando para isso um simples clique. Esta cogitação operou transformações profundas no relacionamento entre as pessoas, a cidadania foi alterada e nem sempre para melhor. Por isso é indispensável tomarmos consciência de nós no mundo e percebermos que estamos continuamente a receber e a gerar informação. Apesar das virtudes da Internet, esta, sem filtros, projeta sobre nós um manto de vulnerabilidades.

LP: Com que leitores espera encontrar-se hoje na apresentação do seu livro?

BP: Tomei a opção de não dirigir convite particular a ninguém, dado sentir genuinamente que o livro deixou de ser meu desde o momento em que se libertou das minhas mãos. Ele há-de encontrar o seu espaço, seja nas bibliotecas, em estantes, junto à almofada ou nas salas de estar. O livro será oferecido nesta sessão de apresentação, só após isso será colocado à venda pela Minerva. Espero ter o gosto de ver amigos, companheiros de tertúlias e discussões, mas também os que me leram e que, na sua razão cívica, foram honestos no elogio ou na crítica.

Lídia Pereira - Jornalista




























PERFIL

Bruno Paixão, é doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Coimbra, com a tese “A cobertura do Escândalo Político em Portugal no período democrático” – tema sobre o qual se debruça em profundidade desde 2004.

É autor do livro "O escândalo político em Portugal", co-autor de vários livros e autor de diversos artigos académicos sobre o assunto, publicados ao longo dos últimos anos. 

É investigador do CIC.Digital (pólo da Universidade Nova de Lisboa), onde intervém em grupos de trabalho sobre a “Cobertura jornalística da Corrupção Política” e do CEIS20 (Universidade de Coimbra).

É membro da Junta Diretiva da Associação Latinoamericana de Investigadores em Campanhas Eleitorais. Foi jornalista de imprensa. Foi membro da direção da Associação Portuguesa Para o Estudo da Propriedade Intelectual.