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29 de março de 2017

JUSTIÇA - Homem julgado por violência doméstica que começara ainda antes do casamento

Homem de 34 anos é hoje julgado por acções que decorreram desde o casamento, em 2010. As agressões físicas começaram um mês antes.


O Tribunal de Penacova inicia hoje o julgamento de um homem de 34 anos, de Carvalhal de Mançores, acusado de um crime de violência doméstica. Mas a relação de casos que constam da acusação do Ministério Público (MP) recuam até um mês antes do casamento, cuja cerimónia teve lugar em Agosto de 2010.

Neste preâmbulo de uma relação “violenta”, em Julho de 2010, quando se dirigiam para uma festa de aniversário, o indivíduo terá desferido, dentro do carro, uma bofetada na face da namorada, provocando-lhe um hematoma no olho direito.

Depois de muita argumentação, e uma primeira afirmação por parte da vítima de que já não iria casar, o homem levou a sua avante e, não só foi à festa – depois de comprar uma pomada para tapar as marcas – como casou, em Agosto desse ano, tendo o casal gerado um a filha posteriormente.

De acordo com a acusação, no próprio dia em que foi buscar a mulher e a filha à maternidade, o alegado agressor, «já influenciado pela ingestão de bebidas alcoólicas, por ter passado a noite numa discoteca», não deu qualquer apoio à mulher e à filha bebé.

Os maus-tratos, nomeadamente verbais, seguiram-se, mas surge o episódio mais grave na noite da consoada de 2014, dia em que o arguido terá chegado a casa embriagado, insistindo que fossem acordar a bebé de dois meses para abrir as prendas de Natal. A recusa dos familiares foi o suficiente para empurrar a avó da ofendida e proferir mais um chorrilho de impropérios.

O jovem, mecânico de profissão, por conta própria, sofreu, de acordo com a acusação, as consequências da dependência do álcool e que levaram à perda de clientes e dificuldades financeiras, redundando no levantamento de 13 mil euros de uma conta conjunta, valor relativo a prendas de casamento, isto já em Agosto de 2015, e sem conhecimento da mulher.

Em Novembro desse ano, quando seria necessária a sua ajuda para adquirir uma cadeira de transporte para a filha, a situação descarrilou completamente, com veladas ameaças de morte e agressões físicas, em episódios que se prolongaram até ao Verão de 2016, quando a mulher saiu de casa e levou a filha.

As várias sessões de assédio obrigaram a mulher a fugir para junto dos pais, em França, entre 27 de Agosto e 18 de Setembro de 2016, sendo, mesmo assim, ameaçada pelo telefone, o que continuou após o regresso a Carvalhal de Mançores.

Neste processo, o arguido queixou-se de um crime de subtracção de menores, por parte da mulher, queixa arquivada pelo Ministério Público.

José Carlos Salgueiro - Diário de Coimbra

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