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6 de abril de 2017

RIO MONDEGO - Projeto para monitorizar cheias foi ontem apresentado no Museu da Água

O primeiro protótipo de cinco sensores que se destinam a monitorizar as cheias do rio Mondego e seus afluentes já se encontra instalado junto ao Museu da Água, em Coimbra.

Os mentores do projecto com Ferreira Nunes da empresa Municipal Águas de Coimbra
Outros quatro sensores serão colocados até final do ano no Açude-Ponte de Coimbra, nas barragens da Aguieira/Raiva e nos rios Ceira e Alva, anunciou Rui Sousa, que desenvolveu o projecto em conjunto com Tiago Custódio e Cristiano Alves, todos alunos do Departamento de Engenharia Electrotécnica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, tendo contado com a colaboração do Vodafone Power Lab (programa de incentivo à inovação e empreendedorismo) e da empresa Águas de Coimbra.

Conforme foi explicado na apresentação do projecto denominado “Rio Mondego”, que decorreu ontem no Museu da Água, no Parque da Cidade, a solução utiliza a rede de dados móvel da Vodafone, permitindo monitorizar o caudal do rio e enviar, em tempo real, informação sobre o nível das águas e as suas flutuações. A leitura é feita com recurso a um sensor ultrassónico, equivalente à tecnologia usada nos sensores de estacionamento dos automóveis.

Com base nos dados recebidos, o comportamento do rio é analisado através de inteligência artificial e à medida que se vai acumulando informação sobre o nível das águas torna-se mais fácil prever com antecedência a probabilidade de cheias, bem como identificar os factores que mais influenciam a sua ocorrência.


Segundo Rui Sousa, o projecto também visa chamar a atenção das populações para o uso sustentável da água. Isto porque outra das suas vertentes é a possibilidade de monitorização de reservatórios de água, albufeiras e barragens, prevenindo, assim, situações de seca.

O aluno de Engenharia Electrotécnica explicou que a ideia de desenvolver o projecto surgiu durante as cheias de 2016. «Estávamos na esplanada das “Docas”, no Parque Verde, e pensámos se não haveria uma solução para prevenir as cheias», recordou Rui Sousa, frisando que a ideia é que a informação seja de fácil leitura e acessível a qualquer pessoa. Por isso, os cidadãos poderão ter acesso àquela informação, por exemplo num mostrador (“display”) que será colocado no Museu da Água.

O estudante salientou, por outro lado, que não lhes cabe emitir avisos de alertas de cheias, pois isso será sempre responsabilidade dos serviços de Protecção Civil e das forças de segurança.

O sensor colocado no rio Mondego custou 200 euros e o investimento em todo o sistema deverá rondar entre 12 e 15 mil euros, esclareceu Rui Sousa, adiantando que o projecto poderá ser aplicado em países com problemas similares, como a Índia ou o Brasil.

Na apresentação esteve também presente José Ferreira Nunes, administrador da empresa Águas de Coimbra.

José João Ribeiro – Diário de Coimbra


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