OPINIÃO - O Associativismo como expressão maior da liberdade - PENACOVA ACTUAL
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1 de maio de 2017

OPINIÃO - O Associativismo como expressão maior da liberdade

Todos nós, ao longo dos tempos, estivemos, estamos e estaremos ligados a associações de cariz diverso: cultural, desportivo, social.

E, igualmente, o fizemos, fazemos e faremos, com ligações à política,  através dos partidos políticos.

Ambas as situações dignificam a vivência do ser humano – do cidadão – enquanto actor principal da transformação da sociedade.

Mas tem algumas diferenças, que devemos realçar:

  1. Desde logo o facto de a vertente política ter por base a chamada Lei dos Partidos Políticos, mais especial e a vertente associativa ter por base o Código Civil, mais geral;
  2. A segunda o facto de a primeira ser, na generalidade, uma base de carreira profissional, muitas vezes remunerada e a segunda quase nunca o proporcionar;
  3. A terceira, a nuance importante de o partido político se ramificar regionalmente, numa cadeia de propagação da ideia prevalente e a de a associação, na generalidade, ter base local não ramificada, dirigida ao interesse mais simples, que não, muitas vezes, menos importante.

É certo, todavia, que o funcionamento interno exigível – e legal - é muito parecido, em ambos os casos, nomeadamente quando se olha para a representação e os modos democráticos de a obter!

Em ambas as realidades o que vale são as eleições, alicerçadas na Lei, nos Estatutos e nos costumes associativos.

Da própria génese da democracia se retira, aliás, a necessidade de se estar disponível para eleger e ser eleito.
Da própria noção de associar se obtém a intrínseca disponibilidade para ajudar a resolver problemas, que não para só ajudar quando se manda...ou se controla sem mandar.

Aqui chegados, registemos então, com enorme agrado, o facto de a nossa terra – Penacova, enquanto concelho -  estar a viver uma quase explosão de exercício são das liberdades, tão distante de outros tempos que muitos de nós vivemos.

Uns pugnando pelo desenvolvimento do sentido político, militantes ou simpatizantes; outros puxando pela sua associação: os associados titulares de direitos, que muitas vezes a mantêm...

O fluxo dos dirigentes é biunivoco, ou seja, tanto vão da política para o associativismo, como deste para a política.

E esse trânsito, digamos assim, não é mau, nem é bom em si mesmo: é, pura e simplesmente, normal, quando se está de boa-fé.

Os partidos ajudam – e bem – a formar homens políticos; as associações – e bem - ajudam a formar melhores cidadãos.

Dir-se-ia, então, que ambas as realidades, numa terra pequena, apesar de tudo, podiam e deviam colaborar desinteressadamente em prol do desenvolvimento e do bem estar das populações.

O problema surge é quando as pessoas que saem da política, já quase caciques formatados, pensam que mandam em tudo como querem; que se justificam a si próprios para prosseguirem a distribuição dos seus poderes que entendem consuetudinarios.

Quando lhes sai o tiro pela culatra, como se costuma dizer, então há que aniquilar a associação que até podem ter fundado – e desenvolvido - há que tentar denegrir a imagem dos ganhadores – ou das suas ideias - tal como se estivessem bem formados em exercícios autofagicos.

E como resolver – e enfrentar – essas questões?

É só interiorizar que, apesar de tudo, o associativismo exprime melhor a liberdade!

É do povo em geral; Não tem donos; Não cria caciques; Nem obedece a credos ou a crenças, estejam elas mais à vista ou mais encapotadas.

Tudo isto, naturalmente, quando se está perante qualidade degradada – o que, felizmente, com o contributo sério e dedicado das novas gerações vai sendo residual - porque o mais desejável é ajudar a construir um concelho onde ambas as realidades – política e associativa - se desenvolvam com elevação, com auto-ajuda, sem atropelos ... ou confusões desnecessárias!

Confiantes em si próprias e nas suas virtualidades, sujeitas, sempre, ao veredicto popular, que não a caprichos de circunstância.

Luís Amante

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