ÉPOCA BALNEAR - Bandeira Azul hasteada nas duas praias fluviais do concelho


O concelho de Penacova, já se sabia, é abençoado pela natureza, sendo percorrido pelos rios Mondego e Alva e, desde agora, com dois galardões Bandeira Azul nas praias fluviais do Reconquinho - é já o quinto ano consecutivo - e do Vimieiro, em S. Pedro de Alva, que agora se estreia no lote das zonas balneares com esta enorme distinção.

Pela manhã, no Vimieiro, o presidente da Câmara Municipal de Penacova, Humberto Oliveira, salientou a atribuição, pela primeira vez, do galardão da Associação Bandeira Azul Europa, garantindo tratar-se de «um orgulho», vincando, com muita satisfação se ser «um sítio com um encanto tão grande que seria um crime de lesa-pá- tria que não fosse valorizado».

Deixou ainda a garantia de que «tem um enquadramento tão especial que merece uma visita», frisando as parcerias realizadas ao longo de vários anos, com a Junta de Freguesia de S. Pedro de Alva e S. Paio do Mondego, agora unidas, bem como os privados que investem no local.

Trata-se de «pessoas e de um conjunto de investidores privados que estão interessados em valorizar este espaço», disse, após ter hasteado a Bandeira Azul, anunciando que estão “na forja” outros projectos de âmbito público, para conseguir ainda maior valorização do espaço.

Aliás, disse Humberto Oliveira, «isto não é o fim, antes o início, porque consideramos que seja um projecto inacabado, porque se pode sempre melhorar».

O autarca disse ainda que, tendo em conta as potencialidades, «tanto o Vimieiro, a nível local, como o Rio Alva, em termos regionais, devem ser valorizados e merecem isto e muito mais».


O presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro de Alva e S. Paio do Mondego, Vítor Cordeiro mostrou, na simples mas significativa cerimónia, o seu «agrado pela atribuição da Bandeira Azul», que considerou ser «o resultado do trabalho realizado ao longo dos últimos ano pela Junta de Freguesia, Câmara Municipal e parceiros privados». «Todos souberam fazer o seu trabalho, sem se atropelarem», garantiu o autarca.

Ontem, além de todo o executivo municipal, marcou ainda presença Paula Garcia, em representação da Agência Portuguesa do Ambiente, que destacou tratar-se de «um galardão de excelência, que não premeia apenas a qualidade da água, mas também a existência de infraestruturas de apoio aos banhistas e a segurança», entre outros aspectos.

Explicou ainda que a campanha deste ano decorre sob o lema “O Planeta é a Nossa Terra”, deixando o desejo que, sendo este «o primeiro ano de Bandeira Azul, que seja por muitos».

Já na sede de concelho, na Praia do Reconquinho, em pleno rio Mondego, foi hasteada, também ontem, mas pela quinta vez, a Bandeira Azul, bem como a Bandeira de Praia Acessível.

Humberto Oliveira fez uma alocução mais curta para explicar que, se o Vimieiro é resultado de um labor mais recente, «no Reconquinho exemplifica a continuidade de um trabalho e estratégia» por parte deste executivo.

O edil explicou que, «possivelmente, Penacova tem mais locais capazes de receber a Bandeira Azul, mas trata-se de um galardão que, além de ser um orgulho cria também responsabilidades acrescidas ao nível financeiro», e, «não podemos desviar verbas de outras situações importantes».

Ainda assim, frisou, «nos últimos cinco anos, foi possível criar, com base na Praia do Reconquinho, uma rede de caminhos pedonais, o Centro de Trail Running Carlos Sá e o Centro de BTT»

Américo Coimbra Dinis regressou à terra e é o “Guardião”

A Praia do Vimieiro, no rio Alva, tem tanto de paradisíaca como de isolada, havendo apenas um habitante permanente, Américo Dinis, que, após uma vida de trabalho em Coimbra, regressou à aldeia que o viu nascer e à «moenda» (azenha) que era do seu pai.

Humberto Oliveira apelidou-o, ontem, de “Guardião do Vimieiro”, na medida em que é a única pessoa a viver permanentemente no local.

Américo trabalhou em Coimbra e foi militar no Ultramar. Agora prefere viver no seu local de sonho e regressou às origens, gozando a terra e fazendo rodar a azenha, em que mói, de quando em vez, alguns cereais.

Como único vizinho, não residente, tem o cientista Carlos Fonseca, que comprou uma casa de xisto no local e empreendeu a plantação de 20 hectares de medronheiros.

José Carlos Salgueiro – Diário de Coimbra

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