OPINIÃO - Tiro no Pé - PENACOVA ACTUAL
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13 de junho de 2017

OPINIÃO - Tiro no Pé

Também eu me indignei com a opção escolhida para construir o arquivo do Tribunal. Não consigo compreender o motivo pelo qual os nossos autarcas não impuseram ao ministério da justiça o local para a construção daquele equipamento, tão essencial ao funcionamento do Tribunal, e não o contrário, como acabou por acontecer. Também eu considerava, e considero, o campo de jogos das antigas escolas primárias de Penacova, como um local ideal para a construção de outro tipo de equipamento que procurasse ir ao encontro das efectivas necessidades da população de Penacova e do concelho.

Desconheço os contornos da situação, se foi pedida ou não a intervenção do município, se a discussão do projecto e posterior implantação foi ou não acompanhada pelos técnicos do município ou se o presidente do município se comprometeu com o ministério na localização do imóvel a construir. O que eu sei é que em minha casa mando eu e só lá se constrói alguma coisa se eu autorizar, independentemente dos motivos que tenha quem quer construir, ou da urgência com que pretenda fazê-lo.

Obviamente que as opções daquele ministério não eram muitas. Ou construía no espaço contíguo ao Tribunal, mais pequeno e que obrigava a uma construção mais cuidadosa e demorada e com mais custos, ou então construía em pleno campo de jogos o que, a concretizar-se, se tornaria muito mais vantajoso, a todos os níveis, para a entidade adjudicante entenda-se.

Infelizmente concretizou-se a vontade do ministério! Mandou construir onde quis, da maneira que quis, sem se preocupar absolutamente nada com as repercussões da sua vontade, e muito bem, já que não cabe ao ministério da justiça zelar pelo bem-estar dos penacovenses, mas sim aos autarcas por eles eleitos e esses, a meu ver, não obstaculizaram a acção do ministério, nem sequer terão sugerido alternativas.

Se em 2014 o presidente Humberto esteve à altura do desafio, defendendo a manutenção do Tribunal e imputando ao município os custos da construção de um novo, impedindo a sua saída de Penacova, assim “batendo o pé” às intenções do ministério da justiça, então sob a responsabilidade do PSD, não se compreende que agora, apesar do estar sob a responsabilidade do PS, tenha cedido tão facilmente às suas exigências, sem cuidar de salvaguardar os interesses e as aspirações dos penacovenses.

Em minha opinião, repito, todo aquele espaço teria muito mais utilidade se fosse convertido num espaço de lazer, com diversas valências que permitissem à vila expandir-se para além das suas fronteiras burocráticas e oferecer aos cidadãos de Penacova outra infra-estrutura que não fosse um “mamarracho” onde se vão armazenar, por décadas, processos judiciais.

Mas nada está perdido! A obra não está concluída, nada está a funcionar, e ainda é tempo de reverter a situação ou, pelo menos, de impedir que não continue tal como está.

Cabe assim aos nossos autarcas, àqueles que têm o verdadeiro poder de decidir, irem ao terreno e mandar parar a obra, até que melhor solução seja encontrada que não prejudique irremediavelmente a situação, não esquecendo porém, que uma das maiores virtudes de quem lidera, é a capacidade de, a todo o tempo, corrigir a trajectória da sua atuação, com vista a satisfazer a vontade soberana da população que jurou servir.