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4 de julho de 2017

BALANÇO - Fogos causaram 193 milhões de euros de prejuízo na região



Os prejuízos directos dos incêndios que começaram na região Centro no dia 17 de Junho, nomeadamente em Pedrógão Grande e Góis, ascendem a 193 milhões, estimando-se em 303 milhões o investimento em medidas de prevenção e relançamento da economia.

Estes são os dados que constam do relatório elaborado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) e ontem apresentado em Figueiró dos Vinhos aos sete municípios que foram afectadas pelos incêndios: Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Penela, Sertã, Pampilhosa da Serra e Góis.

Dois grandes incêndios começaram no dia 17 de Junho em Pedrógão Grande e Góis, tendo o primeiro provocado 64 mortos e mais de 200 feridos. Foram extintos apenas uma semana depois. Estes fogos terão afectado aproximadamente 500 habitações, 169 de primeira habitação, 205 de segunda e 117 já devolutas.

Quase 50 empresas foram também afectadas, assim como os empregos de 372 pessoas. A maior fatia dos prejuízos decorrentes dos incêndios na região Centro advém da floresta e contabiliza 84 milhões de euros dos quase 200 milhões anunciados pelo Governo. De acordo com o relatório elaborado pela CCDR, os prejuízos na floresta - medidas de estabilização de emergência, maquinaria e equipamento (privado) - cifram-se em 83,049 milhões de euros, mais um milhão referente a limpeza das linhas de água.

No que respeita aos prejuízos causados pelos incêndios florestais para os sete concelhos, o relatório confirma dados do ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas], indicando que a área de floresta ardida corresponde a 45.979 hectares (ha), sendo 43.201 ha de floresta, matos e pastagem. «O valor dos danos para a maquinaria e equipamento privado, perda de material lenhoso e medidas de estabilização de emergência é de 84,049.089 milhões de euros», diz o relatório.

Afectados 374 trabalhadores de 49 empresas atingidas

No documento percebe-se igualmente que os danos em habitação particular (169 casas de primeira habitação, 205 de segunda e 117 casas devolutas) são de 27,679 milhões de euros. De acordo com o ministro Pedro Marques, a reconstrução das cerca de 170 casas de primeira habitação será apoiada a 100%.

O valor global de danos estimados para a Indústria e Turismo é de 31,196 milhões de euros, sintetiza ainda o documento da CCDR.

O cadastro das actividades económicas foi efectuado pelo IAPMEI e pela CCDR do Centro, tendo como base os seus levantamentos próprios e das autarquias afetadas. Foram atingidas nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró do Vinhos, Castanheira de Pera e Góis 49 empresas que, em menor ou maior grau, afectam 374 trabalhadores. «A CCDR articulou com o Centro de Emprego e Formação Profissional de Leiria a situação futura dos trabalhadores, tendo-se conseguido concluir que no total poderão estar em causa 51 postos de trabalho. A maioria das empresas irá continuar a laborar mantendo, por agora, os postos de trabalho», diz o relatório.

Esta informação da CCDR do Centro acrescenta que 27,596 milhões de euros, ainda no capítulo das actividades económicas, dizem respeito a edifícios, armazéns, infraestruturas eléctricas e de abastecimento de água, óleos, pneus e combustíveis, infraestruturas informáticas, maquinaria diversa, tractores, giratórias, pá de rastos, máquinas de rechega, retroescavadoras, dumper, carrinhas ligeiras, veículos de mercadorias ligeiros e pesados, atrelados e galeras, linhas de produção completas (serração, fabricação de “pellets” de madeira e de resíduos diversos e produção de azeite) com perda total, entre outros prejuízos.

Nesta componente foram identificados também alguns prejuízos em unidades de alojamento local e em alguns trilhos e percurso, sobretudo nas Aldeias do Xisto deste território. Os valores estimados pelo Turismo de Portugal apontam para 3,6 milhões.

Na agricultura, o documento indica 21,567 milhões de euros de prejuízos, valor semelhante ao de infraestruturas e equipamentos municipais, que é de 21,709 milhões. A rede viária nacional sofreu prejuízos de 2,586 milhões de euros. A mobilização de meios de combate a estes incêndios na região Centro aponta para 4,5 milhões de euros.

100 milhões para projecto-piloto de gestão florestal

O Governo afirmou ontem que deverá investir 100 milhões de euros para o projecto-piloto de gestão florestal do Pinhal Interior, afectado pelos incêndios, que deverá contar com uma candidatura ao Plano “Juncker”. Nas medidas de prevenção e de relançamento da economia elencadas no relatório elaborado e apresentado pela CCDRC estão previstos 158 milhões de euros para a área da floresta, 100 dos quais para o projecto-piloto de gestão florestal e 58 milhões para arboriza- ção e rearborização do território.