ESTUDO - Atestados eletrónicos para cartas de condução motivam críticas - PENACOVA ACTUAL

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14 de julho de 2017

ESTUDO - Atestados eletrónicos para cartas de condução motivam críticas


A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) alertou ontem que 96% dos médicos de família não têm meios necessários para a emissão do atestado para carta de condução por via electrónica.

Em comunicado, aquela estrutura explica que estes dados resultam de um questionário de avaliação de satisfação realizado pelo Gabinete de Informação e Tecnologia da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), ao qual responderam 506 profissionais.

O estudo, que pretendeu avaliar a satisfação pelo novo processo de emissão dos atestados médicos para cartas de condução por via electrónica, aponta ainda que 73,4% dos médicos reporta erros informáticos em mais de 25% dos atestados que emite.

Dos mais de 500 inquiridos, «95,8% não tem ao dispor todos os meios de que necessita para a avaliação pormenorizada do utente», nomeadamente em termos oftalmológicos: potência das lentes, campo visual e visão periférica, visão das cores, visão crepuscular, doenças oftalmológicas progressivas. «93,3% dos inquiridos consideram que a relação médico - doente pode ser posta em causa e 87,9% dos inquiridos necessitam de mais do que uma consulta para a emissão do atestado», acrescenta.

Os resultados revelam ainda que 68,8% dos inquiridos apresentam insatisfação com a aplicação para a emissão de atestados para a carta de condução e que 76,8% dos inquiridos acreditam que a consulta após a referenciação necessária não ocorrerá em menos de seis meses. «54,5% responderam que necessitam de mais do que 30 minutos para emitir um atestado, aliás 17,1% demora mais de 45 minutos; 53,7% considera que o novo modelo electrónico para emissão de atestado para carta de condução é pouco intuitivo; e 95,4% dos inquiridos concordam com a criação dos centros de avaliação médica e psicológica», refere.

De acordo com a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, o resultado deste questionário de avaliação evidencia o impacto negativo provocado pela emissão de atestados por via electrónica no dia-a-dia dos médicos especialistas em medicina geral e familiar. «Este inquérito de satisfação é mais um aviso para que o Ministério da Saúde possa encontrar uma solução urgente», assume Ivo Reis, coordenador do Gabinete de Informação e Tecnologia da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, considera mesmo que não se devia ter avançado com a informatização sem a criação de centros especializados.

«Os cuidados de saúde primários estão a ficar atolados de problemas criados pela obrigatoriedade dos atestados médicos emitidos por via electrónica», enfatiza. No seu entender, os responsáveis pelo Ministério da Saúde deveriam suspender este novo modelo até à criação dos Centros de Avaliação Médica e Psicológica (CAMP), que «foram prometidos e nunca foram criados».