EXPOSIÇÃO - Sandra Henriques inaugura exposição fotográfica sobre a aldeia submersa da Foz do Dão - PENACOVA ACTUAL

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31 de julho de 2017

EXPOSIÇÃO - Sandra Henriques inaugura exposição fotográfica sobre a aldeia submersa da Foz do Dão


A submersa aldeia Foz do Dão vai ser o mote para uma exposição a ser inaugurada no dia 06 de Agosto em Santa Comba Dão, e que vai decorrer de 11 a 16 de Agosto, no Largo do Município. 

Em em fevereiro deste ano, Sandra Henriques, promotora do projeto, foi contactada pelo Jornal do Centro, poucos meses depois de saber que tinha obtido uma bolsa no concurso Criar Lusofonia, promovido pelo Centro Nacional de Cultura, tendo na altura dito que pretende “dar a conhecer o processo pelo qual as pessoas passaram até se fazer a barragem, o espaço de tempo, de quase 40 anos, desde que foi anunciada até estar completamente construída em 1981. Adiantou ainda àquele diário eletrónico, que é seu objetivo sensibilizar as pessoas para alguns dos aspetos que marcaram a vida das “muitas famílias que foram constituídas, mesmo sabendo que iriam ser deslocadas” ou os “40 anos em que viveram sem eletricidade ou qualquer investimento que melhorasse a sua qualidade de vida, uma vez que a aldeia iria desaparecer”.

A Foz do Dão

No início da década de 80 com a construção da barragem da Aguieira, a aldeia da Foz do Dão foi engolida pelas águas do Mondego e Dão, acabando por desaparecer. À população foram oferecidas promessas de emprego e crescimento do turismo, reduzidas indemnizações e pequenos lotes numa rua da freguesia de Óvoa, em Santa Comba Dão.

O projeto

Este projeto “Foz do Dão – A Aldeia Submersa”, que começa agora a tornar-se público com a exposição fotográfica, começou em 2013 e continuará com outros resultados. Tem missão, dar voz aos antigos habitantes da aldeia da Foz do Dão fazendo permanecer a memória daquela aldeia que, na altura, seria a terra de cerca de 200 pessoas. Reconstruir e valorizar as memórias e histórias e perceber, através da experiência de perda dos que nela moraram, o real valor e sentido da comunidade, cultura, paisagem e até arquitetura de um espaço, para cada um de nós e para nós como um todo, é o grande objetivo.

Entidade e sociedade

A construção de barragens é uma alteração radical com consequências a nível humano, devido à perda do espaço individual e social do indivíduo. Com a submersão, há uma mudança rápida da vida das pessoas, da paisagem, do clima e da fauna e a flora.

Alargando um pouco o campo de visão, apercebemo-nos que este é um tema universal. Todos os dias milhares de pessoas são obrigadas a abandonar os sítios onde viviam, pelo progresso, por catástrofes naturais, por motivos legais, pela guerra.

O que é que muda quando nos tiram para sempre o nosso lar, as rotinas de todos os dias, os vizinhos, as paredes, os lugares?

Sandra Henriques (pequena biografia)

Licenciada em Teatro e Educação pela Escola Superior de Educação, e como formação em Canto pelo Conservatório de Música de Coimbra, têm-se dedicado ao teatro como professora, atriz e criadora. Natural de Penacova, nascida em 1989, trabalhou com Leonor Barata e Adriana Campos no Projeto d, deu formação no Festival de Teatro de Inverno de Maputo, a convite da Associação Girassol e, atualmente, trabalha na Escola de Artes de Penacova e na Catrapum Catrapeia com Vânia Couto.

Em 2016 ganhou a Bolsa Jovens Criadores com o projeto “Foz do Dão – A Aldeia Submersa”, projeto este que surge em 2013 pela curiosidade e necessidade de compreender e documentar o lado emocional da perca de identidade.