REFLEXÕES - Prisioneira de mim própria


Por momentos, sentimentos ofuscos vagueiam no meu peito… Os meus olhos perdem-se na imensidão das minhas lágrimas… Quero dizer, mas também não dizer… A solidão toma conta de mim!

É também por momentos que sinto a chama ardente do meu peito esmorecer e perco a esperança… Perco-me neste mar infinito de tristeza, como se me estivesse prestes a afogar nestas emoções inquietas que me consomem e me puxam cada vez mais para baixo. Será que tenho salvação? Pergunto-me… Por momentos. Mas a dúvida insiste em permanecer e deixa a minha mente num nó que não sei como desfazer.

Olho o horizonte e fecho os olhos, tentando consciencializar-me daquilo que se passa dentro de mim, daquilo que me vai na alma. É um desespero imenso! Um sufoco que não quer parar e que me deixa sem forças para continuar a lutar.

Penso, algumas vezes, em desistir… E quero desistir! Mas sei que não posso. Tenho medo de desistir, mas coragem em continuar a sofrer. Porquê?! Talvez o melhor fosse mesmo perder esse medo… Não seria isso também um ato de coragem?! Que pressão me corrompe por dentro, por fora, por cada canto e recanto do meu ser e da minha alma…

Sinto-me no chão. Completamente de rastos. Não há nada, nem ninguém que me puxe?! Que me salve desta aflição?! Não vês que estou presa dentro de mim própria? Não vês que por detrás deste sorriso se escondem lágrimas que teimam em cair, mas ficam retidas por causa do esforço enorme e doloroso que faço?! Não reparas quem é a verdadeira pessoa que se esconde através desta máscara?! Olha nos meus olhos e repara… Vê como eles suplicam por ajuda e por força… Os olhos não mentem, por mais que se tente que o façam. Não dizem que eles são o espelho da alma?!

Por enquanto, vou ficar assim… Prisioneira de mim própria, à procura de salvação… À espera ansiosamente que esta não demore, pois estou cansada… E tão cansada! Mas vou continuar a sorrir e a procurar os teus olhos, até que se cruzem com os meus e descubram o que me vai na alma, trazendo cor à minha vida. Talvez aí volte a encontrar a esperança e a chama antiga do meu peito se reacenda… E, talvez aí, me encontre a mim própria!...


Mariana Assunção

Ilustração de Evelina Oliveira

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