CIÊNCIA VIVA - O céu de Setembro

A presença de Vénus a meio da constelação do Caranguejo marca as primeiras madrugadas de setembro. Este planeta apresentar-se-á durante todo o mês como estrela da manhã. A constelação do Caranguejo e o seu aglomerado estelar Presépio serão igualmente visitados pela Lua no dia 16, mas nessa altura Vénus já se terá deslocado até junto da constelação do Leão.

Figura 1: céu a leste pelas 6 horas e 40 minutos de dia 16. Igualmente é visível a posição da Lua e dos planetas Mercúrio, Vénus e Marte ao longo de dias do mês.
Ao final da madrugada de dia 5 veremos Mercúrio nascer ligeiramente à direita de Marte. Entre estes dois planetas estará Régulo, o coração da constelação do Leão. Um dia depois terá lugar a Cheia junto à constelação do Aquário.

Por outro lado, no início da noite de dia 10 encontraremos Júpiter junto à estrela Espiga da constelação da Virgem. A observação deste planeta será cada vez mais difícil à medida que o mês for avançando e o Sol se aproxime cada vez mais da direção deste planeta.

No dia 12, véspera do quarto minguante, Mercúrio atinge a sua maior elongação (afastamento) a oeste relativamente ao Sol, sendo uma das melhores alturas para se observar este astro. Entre esta madrugada e a seguinte a Lua ter-se-á deslocado da direita para a esquerda de Aldebarã, o olho da constelação do Touro.

No dia 16 dar-se-á a maior aproximação entre os planetas Mercúrio e Marte, distando entre si menos de meio grau (o diâmetro angular da Lua). De notar que a partir do dia 17 Marte passa a ser dos dois planetas aquele que está situado mais a oeste.

Na madrugada de dia 18 será a vez da Lua passar ao lado de Régulo e Vénus.

Figura 2: céu a sudoeste ao anoitecer de dia 22. Igualmente é visível a posição da Lua nas noites de dia 26 e 28.
Dois dias após da Lua nova o nosso satélite natural ter-se-á deslocado da vizinhança do Sol até junto de Júpiter. Em Portugal esta efeméride irá coincidir com o último dia de verão de 2017. De facto, pelas 21 horas e 2 minutos (hora continental) o eixo de rotação terrestre estará perpendicular em relação à direção do Sol. Entre nós este evento é conhecido por equinócio de outono pois marca o início da estação na qual o hemisfério terrestre norte deixou der ser o mais iluminado.

Mas ao contrário do que o seu nome sugere, esta efeméride não corresponde à data em que o dia e a noite têm a mesma duração (tal apenas irá suceder passados 3 dias). Isto deve-se à refração atmosférica que faz com que vejamos o Sol ligeiramente acima da sua verdadeira posição e, deste modo, as noites sejam sempre mais curtas do que seriam caso o nosso planeta não tivesse atmosfera.

Na noite de dia 26 para 27 iremos encontrar a Lua junto a Saturno, planeta que por estes dias se situa junto à constelação do Serpentário. Um dia depois terá lugar o quarto crescente, uma das melhores ocasiões do mês para a observação lunar pois, por estes dias, a forma como luz solar incide sobre ela realça o seu relevo.

Boas observações!

Por: Fernando J.G. Pinheiro (CITEUC)

Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva

Figura 1: céu a leste pelas 6 horas e 40 minutos de dia 16. Igualmente é visível a posição da Lua e dos planetas Mercúrio, Vénus e Marte ao longo de dias do mês.

Figura 2: céu a sudoeste ao anoitecer de dia 22. Igualmente é visível a posição da Lua nas noites de dia 26 e 28.
(imagems adaptadas de Stellarium)

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