REGIÃO DE COIMBRA - Comunidade intermunicipal avança com ciclovia de 40 km

A Ecovia do Mondego, um investimento de 900 mil euros, vai ter uma extensão de 40 quilómetros entre Santa Comba Dão e limites do concelho de Penacova, atravessando também o de Mortágua. Trata-se de um projecto que está a ser desenvolvido pela Comunidade Intermunicipal (CIM) Região de Coimbra e de Viseu Dão Lafões, tendo já sido submetido ao Programa Valorizar.

«A Ecovia, que acompanha o vale do rio Mondego, assume-se como um prolongamento da Ecopista do Dão, oferecendo mais um troço ciclável de elevada qualidade no eixo estruturante Viseu-Penacova, numa extensão aproximada de 90 km, contribuindo para a ligação entre o interior centro (território CIM Região de Coimbra e CIM Viseu Dão Lafões) à rede Eurovelo 1 - Rota da Costa Atlântica», referiu ontem Jorge Brito.

Ecovia em estradas e caminhos pré-existentes

Na apresentação da Ecovia do Mondego, que contou com a presença dos presidentes das autarquias de Penacova, Mortágua e Santa Comba Dão, respectivamente, Humberto Oliveira, José Júlio Norte e Leonel Gouveia, o presidente da CIM Viseu Dão-Lafões, José Morgado, vice-presidente da CIM Região de Coimbra, José Carlos Alexandrino, e presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal, Pedro Machado, o primeiro secretário CIM Região de Coimbra sustentou que «este projecto foi desenvolvido num tempo recorde, que nos permitiu que a candidatura já fosse submetida».

«O facto da Ecovia ser instalada em estradas e caminhos pré-existentes, foi adoptando possíveis soluções de engenharia natural em vias que inicialmente não foram projectadas para isso. Foi necessário estudar bem o território e procurar novas soluções para tornar possível esta abordagem à implementação deste troço de ecovia. Esta estratégia poderá vir a ser replicada, contribuindo para aumentar os percursos cicláveis no país», admitiu Jorge Brito.

Este responsável frisou que o potencial turístico desta ecovia «é complementado com os vários pontos de interesse turístico, ambiental e recreativo que existem na zona» ao permitir a sua interligação. Tratando-se de um projecto interregional e intermunicipal, a obra constituir-se-á absolutamente estruturante para a valorização turística destes territórios do interior e para a promoção da coesão económica e social das populações.

Pedro Machado não descurou a oportunidade para destacar que o percurso ciclável reforça o posicionamento da área de jurisdição em que opera, em termos de competitividade, já que se trata «de um projecto em que nos revemos completamente, sendo, por via disso, um exemplo de coesão e competitividade da Região Centro e que resulta melhor com duas comunidades intermunicipais associadas».

Jorge Brito destacou, ainda, que «este não é um projecto megalómano, sendo instalado maioritariamente num conjunto de estradas e caminhos de terra, sendo a maior parte da pista exclusiva para bicicletas, embora em alguns pontos partilhada com automóveis». Para os autarcas dos três municípios envolvidos, a Ecovia do Mondego promove a coesão económica e social das populações. Depois de aprovada, a via ciclável deverá ficar pronta no espaço de um ano, com a Secretaria de Estado do Turismo a suportar 400 mil euros do valor total.

Em suma, este projecto juntar-se-á à Ecopista do Dão e contará ainda com a Ecopista do Vouga, anunciada em Julho deste ano e que terá perto de 60 quilómetros de extensão, entre a cidade de Viseu e a vila de Oliveira de Frades.

É previsível que um projecto como este dê um grande contributo para a valorização do interior e um incremento do turismo na região. Além de abranger três municípios, chegando a mais pessoas, foca-se num tipo de actividade turística que tem vindo a crescer em Portugal e na Europa. Para Jorge Brito, este tipo de projecto «tem um efeito bastante imediato no território e consegue servir de alavanca para o aparecimento outro tipo de negócios, estimulando a economia local, ao trazer um fluxo de turistas novo que necessita de serviços como alojamento e restauração mas também serviços específicos ligados ao cicloturismo - aluguer de bicicletas, transferes de bagagens e pessoas, guias».

Carlos Sousa – Diário de Coimbra

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