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31 de outubro de 2017

FLORESTA - Baldios do distrito de Coimbra organizam-se em associação e reclamam mais investimento nas áreas que administram


A Associação Cooperação Entre Baldios do Distrito de Coimbra – COBALCO, recentemente constituída, reuniu-se anteontem em Miranda do Corvo e concluiu que os incêndios de 15 de outubro na região Centro tiveram um “impacto nas áreas comunitárias baldias brutal”. Adiantando que não se trata de um balanço exato, constatou-se que são mais de 20 mil hectares de área baldia ardida, principalmente nos concelhos de Arganil, Oliveira do Hospital e Vila Nova de Poiares. Concretamente no concelho de Pampilhosa da Serra a área baldia ardeu toda, refere a organização, o que totaliza sete mil hectares em nove baldios.

A associação afirma que, «atendendo a que muitos dos baldios ardidos não têm capacidade financeira para a reflorestação e recuperação», o Governo tem de «tomar medidas imediatas de apoio financeiro a fundo perdido para investimento» na recuperação de toda a «área comunitária ardida».

«Em baldios sem receitas significativas, o apoio financeiro tem que ser a 100%, nomeadamente para reflorestação em espécies autóctones», defende. A Cobalco diz ainda ser urgente que «o Governo intervenha no sentido do escoamento a preços justos das madeiras “salvadas” dos incêndios florestais». «A extensão e a violência dos incêndios florestais originam que milhões de toneladas de madeira fiquem desvalorizados ao ponto de pouco ou nada renderem. São áreas baldias e milhares de produtores florestais que ficam sem (quase) nada», é ainda referido.

Para esta associação, «deve ser criado um Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural com medidas concretas» que respondam às «necessidades da agricultura familiar e da floresta, nomeadamente das áreas comunitárias de baldios».

«A fim de apresentar estas e outras reclamações, a Cobalco irá pedir com carácter de urgência uma reunião à Direção Regional de Agricultura do Centro, para além da sua apresentação como Associação de Baldios do Distrito de Coimbra».

A direcção da associação aprovou ainda na última reunião a sua filiação na Baladi - Federação Nacional de Baldios, e a sua colaboração na Conferência Europeia de Áreas Comunitárias, a realizar em Coimbra, em 2018, promovida por aquela federação nacional.


As centenas de incêndios que deflagraram no dia 15, o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, perto de uma dezena dos quais graves. Esta foi a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógrão, em Junho.

Atendendo a que muitos dos baldios ardidos não têm capacidade financeira para reflorestação e recuperação de toda esta área ardida, “o Governo tem que tomar medidas imediatas de apoio financeiro a fundo perdido, para investimento em reflorestação e recuperação”, referem os dirigentes.

É urgente que o Governo intervenha no sentido do escoamento, a preços justos das madeiras “salvadas” dos incêndios florestais, refere o comunicado assinado por Isménio de Oliveira. A fim de apresentar estas e outras reclamações a Cobalco vai pedir, com carácter de urgência, uma reunião à Direção Regional de Agricultura do Centro, para além da sua apresentação como Associação de Baldios do Distrito de Coimbra.

A nova entidade regional expressa "solidariedade e luto pelas vítimas mortais" dos incêndios de Pedrógão Grande e Góis, que eclodiram em 17 de junho, e daqueles que devastaram outros municípios da região Centro, nos dias 15 e 16.



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