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30 de outubro de 2017

REFLEXÕES - Aquele maldito dia!


Olho pela janela e a chuva cai lá fora… Bate de mansinho no vidro e cada gotinha marota escorre por ele abaixo com uma rapidez e audácia, como se competissem umas com as outras para ver quem corre mais. É um dia de outono e o tempo está melancólico e preguiçoso. A brisa teima ao passar e as folhas insistem em cair devagarinho. Tudo está sossegado. A natureza está meia adormecida. Silêncio!... Para não a incomodar.

Era bom que assim fosse… Mas já não é assim! O outono já não existe!...

Olho pela janela e, na verdade, não vejo o que a minha mente tenta recordar… O cenário é outro e é bem triste. A natureza está silenciada, sim. Mas não por preguiça. A natureza está de luto, vestida de negro e completamente vazia. As árvores estão despidas, marcadas pela destruição e estagnadas no meio das cinzas, que é o que resta dela. Tudo está parado e nalguns recantos ainda há fumaça que teima em recordar aquele dia. Aquele maldito dia! O dia que amanheceu com um sol lindo e uma brisa refrescante. O dia em que essa brisa se enfureceu, demonstrando toda a sua força e enraivecida aliou-se às chamas, que já há tempo persistiam em chegar. Conseguiram! Chegaram e em grande… Arrastando consigo destruição, desespero, angústia e medo. Muito medo! Nunca vira nada assim. Nunca pensei que o fogo pudesse rodopiar, baloiçar, saltitar, assobiar, numa dança sinistra e aterrorizadora.

Como eu, tantas outras pessoas gritaram, desesperaram, devastaram-se em lágrimas de pranto e súplica. E a única coisa que nos pairava na mente: O que era aquilo?! Que espectáculo destruidor era aquele?!

Nesse momento, sentimo-nos completamente impotentes e insignificantes. Deixamo-nos vencer pelo desalento. Mas, ainda assim, não baixamos os braços e com todas as forças, que não sei de onde vêm, lutamos no meio do desespero… Cansados, desamparados, tristes e fustigados. Mas lutamos!

Nós, tão pequeninos, diante de chamas monstruosas e que tentam à força engolir-nos! Como se isso não bastasse, embirram em devastar os nossos bens, que tanto lutámos para conquistar. Infelizmente conseguiram mesmo isso. E conseguiram-no em poucos minutos… Destruíram-nos uma vida inteira em minutos.

E agora foram. Mas deixaram para trás todo um pesadelo. Toda uma dor que ficará marcada no coração de cada um de nós…

Mas elas que não pensem que venceram por completo! Juntos iremos reerguer-nos!


Mariana Assunção

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