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COMUNICADO - A Lampreia não sobe o IP3


Era este o nosso slogan, quando lançámos a petição pela construção da escada de peixe no açude-ponte, em Coimbra.

Em agosto de 2017 dizia-se que a obra de desassoreamento da albufeira do açude iria demorar 730 dias – cerca de 2 anos – de onde seriam extraídos cerca de 700.000 metros cúbicos de areia.

Seriam duas primaveras, 2 verões, outros tantos outonos e igual número de invernos. Dava, por isso, para escolher a melhor época do ano para fazer o trabalho com os cuidados que uma intervenção desta envergadura exige, com o respeito pela fauna piscícola e pelo ambiente no seu todo.

Anuncia-se agora, no início da época da lampreia, que a obra vai acelerar e que o prazo de execução é reduzido a metade.

Para obras normais, a redução dos prazos é normalmente uma boa notícia. Sê-lo-á também numa obra destas? Neste período de subida da lampreia, será a altura certa para acelerar os trabalhos, 24 horas por dia, seis dias por semana, na extração por sucção de tão elevado volume de inertes, onde as espécies migradoras depositam os seus ovos e onde se escondem e se desenvolvem milhões de larvas de lampreia e de outros alevins?

O biólogo da Universidade de Évora, Prof. Pedro Raposo, que lidera a equipa que tem vindo a fazer um trabalho de excelência na remoção de obstáculos à migração piscícola no rio Mondego, de preservação e monitorização da fauna piscícola, principalmente após a construção da escada de peixe, veio em setembro do ano passado, alertar para os riscos de esta obra poder por em causa o esforço e investimento que se tem vindo a fazer, se não forem tomadas as medidas adequadas para a preservação da fauna do rio.

Era um importante alerta de alguém que sabe do que fala e que deveria ter sido escutado na conceção do projeto e no acompanhamento da obra. Esperava-se que a Câmara de Coimbra, como dona da obra e o Ministério do Ambiente com as responsabilidades que tem, seguissem os conselhos dos especialistas.

Parece que tal não aconteceu e ao invés disso, permitem que a extração de inertes se faça sem interrupção e sem ter sequer em consideração os períodos de maior movimento da lampreia e de outras espécies migratórias.

Como dizíamos em 2004, quando demos início à petição pela construção da escada de peixe no açude de Coimbra, a lampreia não sobe o IP3! E como outros dizem hoje, também não vem de mota! Precisa do rio mondego livre para o seu ciclo normal de vida.

Os naturais e residentes da região de Coimbra, os penacovenses que têm a lampreia como um ex-libris, os ambientalistas e todos aqueles que se acham Amigos do Mondego devem exigir o respeito pelas normas ambientais e a boa gestão dos recursos naturais e financeiros nas obras de hoje, sem comprometer o amanhã e sem destruir o que ontem construímos. Penacova,

A AMA – Amigos do Mondego e Afluentes




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