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PREVENÇÃO - Seis mil aldeias vão ter plano de evacuação em caso de incêndio


O sino toca na localidade de Vale Florido. A tradição rural portuguesa é de novo mantida com o toque a rebate, como que a avisar a população de uma situação de protecção e socorro. "Incêndio aproximasse a grande velocidade", ouve-se, de um altifalante. As portas da Associação Recreativa e Cultural de Vale Florido abrem-se para que os habitantes se possam concentrar e, momentos depois, contabilizar, numa acção do Oficial de Segurança Local, também ele residente na aldeia. À porta, bombeiros e forças de segurança avaliam se será necessário evacuar o espaço e encaminhar as pessoas para um local mais seguro, longe do incêndio.

Poderia tratar-se de um relato antigo, mas não há como ser mais actual. Este é o novo projecto de prevenção e sensibilização de incêndios, que pretende tornar as aldeias portuguesas mais seguras e capazes de dar resposta em situações de emergência, como a que aconteceu em Junho do ano passado, em Pedrógão Grande e concelhos vizinhos. Vale Florido, em Ansião, foi a aldeia escolhida para apresentar o projecto. Durante os últimos dias, a população, maioritariamente envelhecida, foi convidada a participar num simulacro para retratar o modo de procedimento a adoptar em caso de incêndio. Na missa de domingo foi reforçado o convite, e ontem, perante a presença do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, ninguém faltou à chamada do sino da aldeia; houve até quem se fizesse acompanhar de uma galinha poedeira, porque aqui nem os animais são esquecidos.

Programa replicado no país

Os programas “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras” têm como principal alvo cerca de 6.000 aglomerados de 189 municípios que possuem freguesias de risco. O primeiro destina-se a estabelecer medidas estruturais para protecção de pessoas e bens, enquanto que o segundo promove acções de sensibilização para a prevenção de comportamentos de risco, medidas de autoprotecção e realização de simulacros de planos de evacuação.

Cada aglomerado populacional deverá ter um Oficial de Segurança Local – Silvério Teixeira é o de Vale Florido -, que possa voluntariamente funcionar como agente facilitador entre o município e a comunidade, e esse deverá ser um dos primeiros passos do programa.

Depois, há que transmitir à comunidade o que terão que fazer perante situações de risco, e identificar locais e circuitos de evacuação. Em cada localidade deverá ser definido um abrigo e/ou refúgio (que poderá ser a sede de uma associação, uma escola primária, um armazém ou outra infraestutura semelhante) e criar condições para que possam receber a população, com “kits” de abrigo armazenados em caixas ou mochilas, que deverão conter água e alimentos não perecíveis, estojo de primeiros socorros, um rádio, lanterna, artigos de higiene, máscaras com filtros de partículas, um apito (ou outro equipamento que emita um som forte) e até artigos especiais para lactentes, seniores e pessoas com deficiência.

O programa inclui simulações com a participação dos habitantes e a avaliação da sinalética e respectiva manutenção. Está também prevista uma campanha a nível nacional, com início em Maio, que vai passar nas rádios, televisões, jornais e redes sociais, que tem como tema central as medidas gerais de auto-protecção. O Ministério da Administração Interna estima que os programas “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras” sejam implementados já a partir do mês de Maio.

Bruna João Santos (texto) Rui Miguel Pedrosa (foto)


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