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SOLIDARIEDADE - Filarmónica de Coja procura recuperar uma nova harmonia


Contas feitas, são 60 mil euros de prejuízo. Os instrumentos contabilizam a maior fatia, mas há chapéus, boinas, casacos e outro equipamento. «Para uma associação como a nossa não é fácil», afirma João Luís Quaresma, presidente da direcção da Associação Filarmónica Progresso Pátria Nova de Coja. Um prejuízo material a que se juntam quatro feridos ligeiros, três filarmónicos e o presidente da direcção, felizmente sem sequelas de maior, resultante da explosão pirotécnica verificada em Gondelim, Penacova, no passado dia 4, no início dos festejos de Nossa Senhora da Moita.


Com menos 30 instrumentos, a filarmónica está parada. Mas quer recuperar o fôlego, depressa, e avançar com novos acordes. Seguros existem, explica o presidente, seja da parte da comissão de festas, seja da empresa pirotécnica de Cantanhede. Todavia, «o tempo urge», afirma João Luís Quaresma, apontando os «compromissos» da banda já para o próximo mês. Mas, mais do que isso, o valor do seguro será, no seu entender, em primeiro lugar para os familiares da vítima mortal e para o ferido grave, igualmente funcionário da empresa, «que continua internado em Coimbra, com as duas pernas amputadas». «O próprio perito, que fez a análise aos prejuízos, nos alertou para a demora. Pode demorar meses ou mais de um ano até recebermos alguma coisa».


«A banda não pode parar» e a Pátria Nova está empenhada em regressar o mais possível à normalidade. A Escola de Música, diz, satisfeito, o presidente da direcção, já tem condições para funcionar, «graças à solidariedade de muitas bandas, dos concelhos de Arganil, Santa Comba Dão, Tábua, Lousã, Poiares e Pampilhosa da Serra». Com receio de se «esquecer de alguma», João Luís Quaresma sublinha, com emoção, a sua «gratidão» com este «enorme gesto de solidariedade» das bandas vizinhas, «que nos emprestaram os instrumentos» para permitir que a música continue na escola, um projecto que começou a ser assessorado pelo Conservatório de Música de Coimbra e «está a correr muito bem».


Já os acordes da centenária banda – que celebra 150 anos em Novembro - são mais complicados de “afinar”. «Temos 60 filarmónicos e perdemos 30 instrumentos». Alguns têm o módico preço de 8 mil euros, outros 5 mil, com os mais baratos a rondarem os 700 euros. Por isso, a colectividade arregaçou as mangas, procurando reunir fundos. Assim, foi aberta uma conta solidária, que já conta com 4/5 mil euros, diz o presidente, sublinhando o donativo «de muitas pessoas anónimas». «Isto mexe muito com os nossos sentimentos», confessa.


Sábado há um primeiro evento, um jantar solidário, no pavilhão gimnodesportivo de Coja. O supermercado Feiteira & Companhia, «cedeu todos os ingredientes necessários» e os talhos de Coja «oferecem a carne». Para a cozinha há a solidariedade das «mães e de algumas avós – a banda tem uma média de idades entre os 17 e os 18 anos – que vão confeccionar jantar. Os adultos pagam 20 euros e as crianças até aos 12 anos 5 euros. Inscrições podem ser efectuadas pelos telefones 963 022 106967 167 338 e 964 874 658 ou ainda pelo e-mail filarmonica.patria.nova@gmail.com.


Concerto solidário em Ceira

A Associação Recreativa e Musical de Ceira (Coimbra) vai promover, em solidariedade com a sua congénere de Coja, um concerto, no dia 28 (22h00), cuja receita reverte integralmente para Pátria Nova. Outras bandas, igualmente solidárias, estão disponíveis para realizar concertos, estando a ser equacionado um mega evento, cujo agendamento ainda não está definido, mas poderá acontecer em Junho, no Parque Verde.

Manuela Ventura – Diário de Coimbra


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