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JUSTIÇA - Ex-bancária de Poiares condenada a seis anos e meio de prisão efetiva


Uma ex-bancária de uma agência do antigo BCP de Vila Nova de Poiares foi ontem condenada pelo Tribunal de Coimbra a uma pena de prisão efectiva de seis anos e seis meses por ter desviado cerca de 655 mil euros de contas de clientes, entre 2003 e 2010.

A arguida, de 44 anos, terá ainda de pagar uma indemnização ao banco de 635 mil euros acrescidos de juros e 61 mil euros correspondentes a valores perdidos a favor do Estado. Esta última quantia, de acordo com a decisão do colectivo de juízes, terá de ser paga num prazo de 10 dias, após a decisão transitar em julgado.

A mulher estava acusada, em co-autoria com o ex-marido (natural de Penacova), de um crime de falsidade informática, um crime de abuso de confiança qualificado, um crime de subtracção de documento, um crime de falsificação de documento e um crime de branqueamento de capitais.

Durante o julgamento, a ex-bancária confessou todos os factos da acusação, excluindo a participação do então marido.

«Não ficou provado que tivesse existido acordo dos dois», sublinhou a presidente do colectivo de juízes, na leitura do acórdão, descartando também a possibilidade de cumplicidade. «Foi surpreendido», sublinhou Ana Lúcia Gordinho, ao lembrar que a arguida «comprava, mas escondia».

Sobre a alegada vida de luxo do casal, o tribunal não se convenceu desta teoria e não lhe parece estranho que o arguido desconhecesse o esquema da mulher.

Embora durante o julgamento tivesse sido apresentado um relatório sobre a bipolaridade da arguida, a juíza lembrou, no entanto, a sua imputabilidade. «Distingue o bem do mal. Durante sete anos, conseguiu enganar toda a gente, engendrou 1001 planos», salientou Ana Lúcia Gordinho, realçando as «quantias exorbitantes» que a mulher foi desviando. Aliás, continuou, a conduta da arguida «põe em causa a credibilidade» da própria instituição bancária».

Nesse sentido, o colectivo de juízes entendeu condenar a mulher a dois anos e seis meses por falsidade informática, cinco anos por abuso de confiança qualificada, um ano e oito meses por falsificação de documento e três anos e seis meses por branqueamento de capitais, definindo, então, o cúmulo jurídico de seis anos e meio. O crime de substrução de documento - de natureza semi-pública -, acabou por não ser considerado, uma vez que não foi participado dentro do prazo legal.

No final, não ficou claro que a arguida - já integrada social e profissionalmente - vai ou não recorrer da decisão do tribunal, uma vez que a advogada que marcou presença na leitura do acórdão não era a defensora da ex-bancária. Recorde-se que, durante o julgamento, a mulher explicou ao colectivo de juízes que os desvios, que lesaram especialmente seniores e emigrantes, se destinavam a alimentar a compra compulsiva de bens. Chegava a efectuar levantamentos de 400 euros e compras de centenas de euros em lojas de roupa, ourivesarias e perfumarias.

Patrícia Isabel Silva - Diário de Coimbra




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