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OPINIÃO - Lorvão: Hospital, porque não?

Há uns dias escrevi sobre a hipocrisia que encontro, intrínseca ao chamado “Movimento pelo Interior”; entretanto, tomámos todos conhecimento da intenção do nosso Governo em se ver livre das instalações do antigo Hospital de Lorvão.

Por princípio, eu não sou contra às regras da economia livre, nem sou contra a que o Estado dê espaço à iniciativa privada e até a incentive.

Mas sou absolutamente contra ao facto de o mesmo Estado, através de sucessivos Governos, usar como paradigma a lógica de se desfazer de tudo quanto lhe traga encargos, ainda que tais encargos façam parte das suas funções essenciais.

Há encargos e encargos!
Há erros de governação que são gritantes e devem ser corrigidos!

O encerrado Hospital de Lorvão – valência psiquiátrica dos CHUC – como é bom não esquecer, ocorreu envolto em polémica, há meia dúzia de anos, num momento em que o tal Estado tinha acabado de ali fazer investimento considerável, embalado nos cortes da saúde que a crise – e a corrupção – trouxeram ao nosso País.

Digamos que os custos reais do funcionamento daquela unidade foram considerados insuportáveis por políticos que se apressaram – e continuam - a pagar, sem questionar, as contas de outros políticos que nos enganaram a todos, corrompidos à exaustão.

Verdade seja dita, as instalações do Hospital estavam – e ainda estão – em melhores condições do que outras que acumulam doentes nos corredores, com ratos a passear pelas camas e cozinhas em degradação avançada, carecendo, isso sim, de perspicácia na oportunidade da sua reconversão.

Mas estavam – e estão – em Lorvão, Vila do interior, enfiada na serra, no concelho de Penacova...

Quem decide determinados dossiers não sabe o que foi – e é – o Mosteiro de Santa Maria de Lorvão, em cujo edificável mais recente estão as instalações do Hospital; nem saberá nada da história Cisterciense, nem do facto de todos nós no nosso concelho termos investido já muitas economias para dinamizar o local, colocando-o, inclusive, na Rota de Cister, cuja Associação foi criada em Penacova e à qual tenho a honra de presidir.

Só sabem que aquele espaço pode trazer algum proveito ao orçamento, tal como aconteceria com a mini-hídrica do Caneiro que conseguimos derrotar, unidos.

E é aqui que chega a indignação – que acompanho – daqueles que, no caos em que se transformou a saúde em Portugal, entendem que o Estado deve reabilitar, em vez de vender ao desbarato, a Unidade Hospitalar de Lorvão, quiçá alterando as funções hospitalares, ajudando a resolver uma série de problemas:

   - de índole de apoio à população idosa, acolhedora de cuidados continuados e paliativos, que carece da proteção do SNS;
   - de índole prioritária, como retaguarda dos Hospitais da Universidade, que não possuem essas valências;
   - de índole dinamizadora de desenvolvimento no nosso concelho.

Afinal, se ainda lá estão os mais de 50 anos de história hospitalar; se ainda lá moram as instalações e os espaços circundantes; se serão parcos os investimentos necessários; se de lá são gerações de profissionais da saúde, porquê não aproveitar tudo isso reabilitando a vocação daquela terra e, por arrastamento, dinamizando a história cisterciense, o culto das Santas e tudo quanto está associado à riqueza do Mosteiro?

A palavra de ordem, neste caso, é: UNIÃO, UNIÃO, UNIÃO!


Luís Pais Amante



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