ENTREVISTA - Ana Clara Almeida, Diretora do Agrupamento de Escolas de Penacova: "Aqui sei que posso lutar por uma escola de proximidade" Penacova Actual PENACOVA ACTUAL - Jornal de Penacova

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ENTREVISTA - Ana Clara Almeida, Diretora do Agrupamento de Escolas de Penacova: "Aqui sei que posso lutar por uma escola de proximidade"

Ana Clara Almeida é, desde 2009, presidente do Agrupamento de Escolas de Penacova. Começou aqui a dar aulas em 1995 e nunca mais de cá saiu.

Nascida em Figueiró da Granja, concelho de Fornos de Algodres, viveu em vários sítios, como Santarém, Manteigas, Guarda e finalmente em Coimbra, onde reside desde 1968. Ingressou em 1975 na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, no curso de Filologia Germânica. Um ano antes, após a revolução de Abril, fez Serviço Cívico, tendo estado durante os meses de agosto e setembro no Alentejo, ajudando na plantação de pimentão.

Num País em florescimento, chegou a ser rececionista e professora de Português a estrangeiros na International House, de 1981 a 1983, tendo rumado, já como diretora pedagógica e com Gay Adamson, a Viseu, abrindo lá a escola de Línguas, International House em 1983. No entanto começou a dar aulas de inglês em 1981, em Góis, tendo ingressado definitivamente na carreira docente em 1984, abandonando a escola de línguas estrangeiras. Iniciou a docência em Mangualde, tendo-se seguido Sátão, Viseu, Belmonte, novamente Mangualde, Arganil e Coimbra. Em 1994 ficou colocada na Escola Secundária de Penacova, iniciando aqui funções de docente no ano seguinte. Desde esse ano nunca mais saiu de cá.

Em 1997 foi eleita presidente do conselho diretivo da Escola Secundária. Nessa altura os mandatos eram de dois anos, e não quis renovar o cargo por razões familiares: “Na altura tomei como prioritário o acompanhamento do meu filho, menor de idade, e nunca me arrependi”. Hoje o seu filho tem 32 anos, é engenheiro informático e trabalha em Zurique.

Naquela altura acumulava a docência com trabalhos de tradução. Em 2004 iniciou a lecionação de formação de Inglês na então Brigada Ligeira de Intervenção em Coimbra. Em 2003 iniciou a formação em Gestão Escolar e Pública no INDEG-ISCTE, Lisboa, terminando em setembro de 2004 a pós-graduação em Gestão de Entidades Públicas e Autárquicas.

Candidatou-se ao primeiro mandato como diretora do Agrupamento Vertical de Escolas de Penacova em 2009, tendo sido eleita em maio desse ano. A instituição passa em 2010 a designar-se Agrupamento de Escolas de Penacova, após a fusão com o Agrupamento de Escolas de São Pedro de Alva. As suas funções de diretora são, desde 2009, assumidas a tempo inteiro, como prevê a lei, tendo deixado de lecionar. Embora viva em Coimbra, passa praticamente todo o dia na escola sede em Penacova, deslocando-se às escolas que compõem o agrupamento. “Menos do que seria desejável”, admite, explicando também que “o trabalho administrativo e financeiro ocupa grande parte do meu tempo e, posso dizer, que, lamentavelmente, o trabalho pedagógico é muitas vezes relegado para segundo plano, dada a imensidão de trabalho de gestão que nos é exigido” Pelo meio faz um elogio à equipa: “sem uma equipa bem preparada, jamais poderia levar a cabo com total sucesso a tarefa que me é exigida”.

Ana Clara Almeida entende que “estar perto das pessoas, ouvilas, compreendê-las e conhecer a realidade das escolas e da região é muito importante, mesmo imprescindível, para levar a cabo este projeto”. Diz que o seu lema de vida é respeitar, comunicar, partilhar, ouvir. Termina com uma frase irrebatível: “O respeito é essencial como lema numa escola e, sem ele, a escola jamais poderá ser uma Escola”.


Como se gere um agrupamento com 70 turmas (do pré-escolar ao secundário), quase 1300 alunos e 150 professores?
O Agrupamento já foi muito maior, mas continua a ser um difícil desafio gerir um tão grande “mundo”. A dedicação é essencial. Depois, dispomos de uma estrutura hierárquica que ajuda a que tudo funcione. A figura unipessoal prevista na lei, não é totalmente “obedecida” por mim; acredito numa gestão democrática e partilhada não deixando de representar a figura unipessoal, o rosto da instituição.

Enquanto cargo unipessoal tem responsabilidades complexas…
A diretora é responsável pela gestão administrativa, financeira e pedagógica de todo o agrupamento. Dada a complexidade de competências a meu cargo, além da articulação e partilha com a minha equipa (Direção), procuro estabelecer articulação com diferentes equipas de trabalho e estruturas de coordenação e supervisão pedagógica, partilhando competências e responsabilidades. Aliás, a delegação de competências é essencial para que a operacionalização das ideias e decisões seja exequível. Quando falo em trabalho de equipa, refiro-me aos membros da direção, aos responsáveis pelas equipas de gestão intermédias, aos docentes e, não menos importante, ao pessoal não docente, que caminham ao meu lado – não atrás nem à frente, mas ao lado –, puxando com a mesma força e dedicação que a diretora.

As escolas são bonitas e têm um sentido estético e cuidado. A que se deve esta boa faceta que contrasta com tantas escolas do nosso País?
Existe uma constante preocupação em manter os espaços e instalações funcionais, aliada sempre que possível à estética. Desde 2009, quando fui eleita pela primeira vez, que uma das áreas de intervenção valorizada tem sido a reestruturação e a requalificação das instalações e espaços educativos, procurando melhorar a qualidade dos mesmos.
De uma forma geral, tenho procurado que as escolas que integram o Agrupamento tenham equipamentos de qualidade, tanto ao nível do edificado como dos que são utilizados com finalidades pedagógico-didáticas, que têm contribuído para a melhoria das condições de trabalho dos alunos, professores e assistentes técnicos e operacionais.

Tem apostado na conservação e manutenção do Parque Verde da escola sede…
Considero estes espaços verdes, como o jardim e a floresta envolvente, importantíssimos na melhoria da qualidade de vida dos nossos jovens. Numa época em que os nossos jovens vivem cada vez mais dependentes dos telemóveis e jogos de computador, estes espaços verdes constituem-se como promotores de estilos de vida saudáveis e contactos sociais com impactos positivos na saúde física e mental, propiciando momentos de evasão e escape e oportunidades de socialização e de prática de atividade física. Ver os alunos, especialmente os mais jovens, a correrem e usufruírem de um espaço exterior tão rico, é uma alegria e dá-me o sentido de dever cumprido.

A este nível, que outros projetos tem por desenvolver?
Tenho como objetivo uma reestruturação e revitalização das salas de aula mais antigas, nomeadamente com a melhoria das condições dos laboratórios e salas de aula específicas, sempre que possível fazendo o reaproveitamento de materiais e equipamentos. De momento, essa intervenção está a decorrer em algumas salas de aula, mais antigas, da escola sede, tornando-as mais funcionais, confortáveis e adequadas à atividade letiva.

É verdade que existe um aquário no meio de uma sala e que este transmite tranquilidade a todos os que ali interagem?
É verdade sim. Resolvemos colocar um aquário no meio da Biblioteca Escolar da escola sede em Penacova. Para além de ser um elemento decorativo, um aquário pode trazer paz e ajudar a estabelecer a calma de quem o observa. É sabido que os aquários são frequentemente usados para acalmar doentes em consultórios médicos e em locais onde se vive com stress, dor, angústia e até violência. A exposição a aquários e decorações subaquáticas podem realmente ter um impacto positivo no bem-estar dos alunos, mas também nos professores e em todos os intervenientes educativos da escola sede.
Estamos tão bem ou melhor apetrechados do que muitas escolas dos grandes centros urbanos
A Biblioteca escolar é, portanto, um espaço de fruição dos alunos…
O aquário encontra-se na Biblioteca Escolar (BE) da escola sede, uma das 3 BE existentes no Agrupamento; a Biblioteca Escolar (tal como a Sala de Estudo) é o local no qual os alunos podem dar continuidade às aulas, realizar pesquisas com a ajuda de pessoal docente e não docente. Os alunos são aí incentivados a utilizar os recursos e serviços para o desenvolvimento das múltiplas literacias, incentivados a ler por prazer, constituindo-se como uma linha de ação prioritária do Projeto Educativo do Agrupamento.

É a favor de uma escola rígida ou flexível?
No concelho de Penacova e por esse mundo fora vivem centenas de homens e mulheres que já foram meus alunos e eles diriam melhor que ninguém que eu só posso ser a favor de uma escola flexível. Rigidez é inimiga de um ambiente que se pretende ser saudável.

Pode contextualizar?
Flexível na aceitação de pessoas diferentes e com opiniões diferentes. Escola flexível mas respeitadora e com exigência pelo respeito pelas regras que têm de existir. A escola rígida não se atreve a mudar de opinião e não é capaz de aceitar novas ideias, emoções e ações. Pelo contrário, a escola flexível, aquela em que acredito, tem uma atitude crítica, mente aberta e aceita as mudanças para bem de todos. A força de um pensamento flexível faz com que, apesar dos obstáculos, reinventemos e sejamos mais flexíveis com as dificuldades do dia-a-dia. Ao termos uma atitude crítica, justa e integradora acredito, podermos criar um estilo de vida aberto e saudável. A instituição escola deve ser vista como construção e construtora social, logo, flexível.

É defensora de uma escola de proximidade, atenta às particularidades da comunidade…
Sim, sempre fui defensora de “uma escola em cada localidade”. Entendo a dificuldade que hoje enfrentamos com a diminuição demográfica, mas chega a ser assustador, e até anti-pedagógico, tirarmos da cama crianças ainda muito novas às seis da manhã e que regressam a casa cerca das 19h ou 20h. Não sejamos loucos ao ponto de pensar que estamos a dar a essas crianças as mesmas condições das que tantas outras têm em grandes centros urbanos ou mesmo nos centros rurais.

Há que estar próximo para melhor se entender a realidade?
Uma escola de proximidade é aquela que vive e entende melhor o meio envolvente de cada criança, de cada aluno, ajudando-a no seu processo de crescimento, de ensino-aprendizagem e de construção de um cidadão crítico, participativo e atento ao seu mundo que passará anos mais tarde, quiçá, pela realidade de uma integração europeia, no mundo da aprendizagem, da investigação, do trabalho, da família. Aqui, neste Concelho, eu sei que posso lutar por essa escola de proximidade, mas infelizmente enfrento vários interesses que passam pelo combate a este meu pensamento. Mas jamais baixarei os braços e jamais deixarão de ouvir a minha voz.

Peddy Paper organizado pelos docentes de Educação Física, em articulação com a Biblioteca Escolar e dinamizado com a colaboração de todos os departamentos curriculares.
O Agrupamento de Escolas de Penacova promove continuamente atividades fora da escola. Vê essa abertura de boas relações e de ligação à comunidade como algo essencial para a formação dos alunos?
É indispensável promover a abertura das escolas ao exterior e a sua integração nas comunidades locais. O nosso Plano Anual de Atividades integra atividades diversas (Festas de Natal, Desfiles de Carnaval, Peddy- Paper, Café Concerto, Dia da Saúde, Caminhada pela Saúde, Festas de Encerramento…), nas quais se fomenta a participação das famílias, de instituições, da Autarquia, de coletividades e empresas. O contacto dos alunos com diferentes entidades, não só na concretização das atividades, mas também durante a sua formação em contexto de trabalho (estágios dos cursos profissionais), é fundamental na formação dos alunos, permitindo a aquisição de novos conhecimentos e oportunidades de futuro. A formação dos nossos jovens é muito mais que aquilo que é lecionado em cada uma das disciplinas.

Está num concelho fora da capital do distrito. Vê isso como uma oportunidade de diferenciar um ensino e um modo de estar?
Anteriormente falei da escola de proximidade e é também isto que vejo como uma mais-valia para os jovens do Concelho. Aqui os professores estão muito mais perto dos alunos e esta relação é facilitadora na estratégia ensino-aprendizagem. A localização da escola fora da capital de distrito apresenta-se também como uma problemática porque alguns alunos, nomeadamente no ensino secundário, querem fugir para a cidade, não procuram uma escola diferente, com condições diferentes, com cursos que não existem em Penacova, procuram apenas as atividades extra-escola que a cidade pode oferecer.

Mas encontra vantagens?
A localização da escola e, acima de tudo, a sua dimensão reduzida, pode ser encarada uma potencialidade para diferenciar o ensino, com uma abordagem centrada no aluno e no seu percurso de aprendizagem, com a implementação uma "educação sob medida". Os alunos são todos diferentes, com vivências pessoais e sociais muito distintas e com capacidades cognitivas igualmente distintas. A escola tem trabalhado no sentido de manter ambientes educativos de proximidade e de bem-estar, fatores propiciadores de bons resultados escolares. Aqui há tempo para todos e todos têm tempo para ensinar, aprender, brincar, olhar, ouvir. Assim vejo a Escola de hoje em dia e também é por isso que ainda hoje permaneço, por escolha própria, no concelho de Penacova.

Alunos, professores e funcionários são peças da mesma engrenagem?
Toda a organização só funciona quando todas as "peças" trabalham de modo organizado e sistemático em prol de um objetivo. Numa escola, todos trabalhamos para um objetivo comum: o sucesso educativo dos nossos alunos. Na engrenagem referida falta uma peça muito importante: a família… só com o contributo dos pais/ encarregados de educação, só um trabalho de verdadeira parceria entre escola e família permite alcançar o real sucesso educativo dos nossos alunos.

A empatia e a cumplicidade ajudam muito…
É através de situações democráticas e de diálogo, onde realmente se ouça o outro, em que a empatia exista e permita colocar-se no lugar dos outros, que serão construídos laços que são superiores a relações de poder: são laços de cumplicidade entre pessoas que desejam uma educação libertadora e em que todos sejam intervenientes.

Alunos do Clube de Artes/Tecelagem, com o Projeto Mantas Solidária na Expo Empresas em Condeixa-a-Nova
Tem uma equipa dedicada, que colabora ativamente na diferenciação do Agrupamento de Escolas de Penacova…
Ao longo destes nove anos tive de fazer uma ou outra alteração na minha equipa, sempre por motivos familiares, mas sempre consegui ter ao meu lado colegas e amigos que me completam e bebem do mesmo gosto por uma escola melhor e em contínua melhoria. O trabalho da Direção não tem fim e é muito absorvente. Exige-se uma dedicação quase a 100% e não é fácil o dia-a-dia com tantos assuntos e problemáticas e de tão variadas áreas.

Os alunos levam boas memórias dos tempos em que passaram pelas escolas do Agrupamento de Escolas de Penacova?
O facto de haver todos os anos jantares de ex-alunos mostra bem o seu carinho por esta escola. E todos os anos temos iniciativas envolvendo os ex-alunos. Há um regresso contínuo da grande maioria e isso traz-nos um sentimento de alegria e de dever cumprido. Sentam-se connosco e recordam connosco os momentos mais marcantes que viveram nas escolas de Penacova. Trazem emoção e brilho nos olhos, falam do que aprenderam aqui e do que levaram com eles e que ainda hoje os marca muito.

Hoje as redes sociais permitem reencontros.
As redes sociais ajudam a “encontrarmos” alguns ex-alunos e especialmente os que por algum motivo estão mais longe, que querem saber como evolui a escola e deixam comentários às atividades que vamos desenvolvendo no Agrupamento, nos vários níveis de ensino.


O Agrupamento de Escola de Penacova em números70 turmas de alunos que vão do pré-escolar ao secundário, nas várias escolas do Agrupamento1283 alunos espalhados pelos diferentes estabelecimentos deste Agrupamento149 professores nas várias escolas
17 unidades de ensino Para além da escola sede, o Agrupamento de Escolas de Penacova é constituído pela Escola Básica Integrada de São Pedro de Alva, seis escolas do 1º ciclo (Penacova, São Pedro de Alva, Figueira de Lorvão, Lorvão, Aveleira e Seixo) e nove Jardins de Infância (Penacova, São Pedro de Alva, Figueira de Lorvão, Lorvão, Aveleira, Seixo, Sazes de Lorvão, São Mamede e Miro).

Há quem ache que por estar afastado dos centros urbanos a tecnologia não chega a estas escolas.
De modo algum. Provavelmente estamos tão bem ou melhor apetrechados do que muitas escolas dos grandes centros urbanos. Há mais tempo para usar esses recursos e como os professores permanecem mais tempo na escola, preparam e tiram mais partido dos recursos tecnológicos disponíveis nas escolas do Agrupamento.

Penacova tem o que é preciso para o melhor ensino?
Temos os melhores docentes, recursos materiais infindáveis, apoios a vários níveis para o desenvolvimento de projetos inovadores, iniciativas com outras escolas e outros países, tempo para a partilha. Se podemos ser melhores? Claro que sim, mas isso é inato aos nossos professores, sempre em busca da mudança, do melhor, de outras estratégias e de outros mundos.

O sucesso é visível em várias áreas…
A verdade é que tudo fazemos para mostrar que temos levado a maior parte dos alunos do concelho de Penacova ao sucesso em várias áreas. Olhem em redor e encontram-nos sem dificuldades. Médicos, enfermeiros, investigadores, empresários, professores, técnicos nas várias áreas, engenheiros, animadores, assistentes operacionais e assistentes técnicos, artistas de teatro e cinema, músicos, para nomear só alguns exemplos.

Professores de qualidade deixam uma semente em cada aluno?
Deixam, sem dúvida. Quando regressam à escola há sempre um ou outro professor que fazem questão de ver e com quem falar. Dizem que foi esse/a que num determinado momento os mudou, os fez ver o mundo. Já viu como a nossa alma se enche de alegria com as sementes que deixamos? Não há muitas profissões que tragam estas alegrias, mas ser professor é isto mesmo.

A escola orgulha-se de ter alunos com variadíssimos prémios…
A constituição dos quadros de mérito e excelência constituem-se como um incentivo à melhoria das aprendizagens, sendo que no ano letivo transato 122 alunos integraram estes quadros de excelência, número esse que tem vindo a aumentar a cada ano letivo. Todos os anos temos alunos premiados no âmbito do Desporto Escolar, nas várias modalidades, interescolas, regionais, distritais e nacionais.
No Projeto Ilídio Pinho, no ano transato, um dos grupos do Agrupamento, foi com o seu projeto apurado para os 100 melhores projetos a nível nacional, tendo ganho, na final, uma merecida menção honrosa. Todos os vários prémios são a projeção da Escola, aquilo que aprendem e são na instituição Escola.

Que atividades fazem na escola, como a tornam dinâmica?
Todas as atividades já mencionadas. Temos algumas atividades que já começam a marcar a tradição no Agrupamento e que implicam a interrupção de aulas. O “Peddy Paper” tem equipas com representantes de todas as áreas da comunidade, conforme a sua disponibilidade, alunos, professores, funcionários, pais, CPCJ, Câmara, GSSDCR Miro, etc. O Café Concerto na escola sede no final do 2º período, uma iniciativa literária das Bibliotecas Escolares, com a participação da comunidade. O entusiasmo dos professores passa para os alunos e leva-os a participar nestas iniciativas.

Membros da Direção: Manuel Branco, Sérgio Godinho (Subdiretor), Ana Clara Almeida (Diretora), Cristina Simões e António Marques
E quanto aos projetos Erasmus+?
Os projetos ERASMUS + têm trazido dinâmicas diferentes à comunidade, já que nas mobilidades de professores e alunos aos outros países, ou quando nos visitam, há a hipótese de podermos mostrar o que se faz por cá e vermos que, comparativamente com as outras escolas na Europa, estamos a par com eles e mostramos sempre muito bons resultados. Em 2010 a então Escola Secundária de Penacova obteve um Prémio de Qualidade Europeia, tendo sido considerado o Projeto que desenvolvemos com uma escola alemã, situada a 30km de Berlim, foi um dos quatro melhores Projetos desse ano na Europa.

Tem havido uma aposta forte na natação. A que se deve esta opção?
Permita-me dizer que tem havido uma forte aposta em todas as áreas do desporto. A natação a nível dos alunos do 1º ciclo, tem tido todo o apoio do município, sem o qual esta faixa etária não teria nunca hipótese desta prática desportiva. Consideramos o desporto uma área a nível do ensino profissional muito importante e que poderia ser uma mais valia na área do Turismo nesta região. Este ano a Anqep não autorizou a abertura desse curso no Agrupamento e é necessário que a autarquia se una a nós, como tem feito até aqui, para no próximo ano, aquando da aprovação da rede escolar, possamos fazer uma recuperação deste curso mostrando à CIM de Coimbra a importância da reabertura do curso de desporto, depois de tanto investimento nesta área.

Qual o objetivo do Ateliê de Artes?
O objetivo do Ateliê das Artes é o mesmo do dos outros Clubes e Projetos. Disponibilizar aos alunos atividades extra curriculares em várias áreas. Por outro lado, nestes Clubes e Ateliês procura-se desenvolver a ligação dos alunos com a comunidade externa à escola sensibilizando-os para a arte, a solidariedade, a criatividade, a inovação e o espírito de iniciativa.

Como vê a criação da escola de Artes de Penacova?
Sempre dei o meu apoio, é sabido publicamente, à iniciativa, pois é uma mais-valia na diversificação da oferta formativa. Temos uma parceria estabelecida e aprovada pelo Ministério da Educação de modo a que os alunos que começam no 5º ano possam frequentar o ensino articulado, substituindo a Educação Musical e a Educação Tecnológica na Escola Básica, pelas disciplinas da Escola de Artes de Penacova.

O Município é um parceiro ativo?
O Município é um parceiro ativo e principal, não só ao nível do pré-escolar e do 1º ciclo, mas também em tantos outros projetos e parcerias de colaboração. Parece-me importantíssima esta ligação da autarquia à Escola e independentemente das opções político-partidárias de cada um, temos conseguido articular indo ao encontro uns dos outros nos objetivos para a educação e da escola.

Como tem sido a relação?
Tenho sido muito respeitada pelos vários vereadores que têm estado no pelouro da educação e agradeço-lhes ouvirem-me e trabalharem comigo de um modo tão empenhado e entusiasmante. É assim que vejo as várias estruturas a trabalharem. O Município tem tido várias estratégias aprovadas até pela oposição no sentido de conseguirem que mais jovens estudem no Agrupamento de Escolas de Penacova e permaneçam no Concelho. Têm estado unidos para não deixar fechar escolas… Outro ponto importante tem sido a articulação que temos feito aquando da proposta da rede escolar levada à DGESTE. Nesta proposta entra sempre a preocupação de não deixar fechar escolas do 1º ciclo ou Jardins de Infância, por terem um baixo número de alunos. Existem zonas de difícil acesso aos transportes públicos ou escolares e por isso tenho defendido que não se fechem escolas. O Município tem a decisão principal nesse assunto, mas até nisso temos estado em concordância.

Sente que há um apoio atencioso do município ao nível dos livros escolares, dos transportes e de outras áreas que carecem de uma relação ativa entre a escola e o município?
O apoio do município tem sido fantástico e sempre que temos propostas de melhoria, ouvem-nos e sentam-se connosco para trabalharmos em conjunto. No entanto temos que continuar e ir mais além. As dificuldades pela dispersão do território, agravadas pelo despovoamento, tem trazido uma concentração na escola sede, em Penacova. Mas não podemos esquecer que a aposta tem que ser na colocação como assunto prioritário, a minimização dessas dificuldades para que os nossos jovens não saiam do Concelho, muito novos, pois assim dificilmente, um dia mais tarde, regressam à terra que os viu nascer.



Entrevista à Prof. Ana Clara Almeida, originalmente publicada na edição impressa do Jornal do Município de Penacova de julho de 2018



Sem comentários:

Enviar um comentário


Leia as regras:

1 - Os comentários ofensivos não serão publicados.
2 - Os comentários apenas refletem a opinião dos seus autores.