ILUSTRES (DES)CONHECIDOS: José Pereira Baião [1690-1743] Penacova Actual PENACOVA ACTUAL - Jornal de Penacova

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ILUSTRES (DES)CONHECIDOS: José Pereira Baião [1690-1743]

Folha de rosto de "Portugal Glorioso..." onde se referem as Santas Rainhas

José Pereira Baião fazia imprimir o nome da sua terra natal (Gondelim) na folha de rosto das suas obras 
“Tendo a sua obra alcançado certo destaque na historiografia nacional, é de estranhar que o nosso concelho o esqueça, quando dele se devia orgulhar” – escreveu, nos anos 60, no Notícias de Penacova, Nelson Correia Borges[1] - "Ele que nunca se esqueceu da terra que lhe serviu de berço, fazendo estampar a sua naturalidade no rosto das suas obras”.

Passados cinquenta anos esta crítica continua actual e pertinente. José Pereira Baião teve um papel importante na divulgação de alguns temas relacionados com o nosso concelho. Foi este penacovense  que forneceu ao autor do “Santuário Mariano” informações pormenorizadas sobre as  diversas invocações de Maria: Nossa Senhora da Moita (Gondelim), Nossa Senhora da Assunção (Penacova) e Santa Maria (Lorvão). Mais: quer no  livro “Portugal Glorioso”[2] quer na “Monarquia Lusitana” ou mesmo na “Crónica de Cister”, está a sua mão de hagiógrafo, versando a vida das nossas Santas Rainhas Teresa e Sancha. Sobre esse assunto, terá mesmo trocado correspondência com a Abadessa D. Bernarda Teles de Menezes no sentido de recolher dados sobre o culto das Santas Rainhas.

Ao contrário do que acontece em relação à  sua obra, não abundam elementos sobre a sua vida. Sabe-se que nasceu em Gondelim em 23 de março de 1690 e morreu em Lisboa em 8 de Maio de 1743. Por terras de Penacova terá vivido até ter ido para Lisboa estudar, onde ingressou na vida eclesiástica[3] em 1722. Estudou Matemática e Teologia mas foi como cronista/historiador/hagiógrafo  que mais se evidenciou.

Em 1726 publicou “História dos Gloriosos Santos António e Benedito…”. No ano seguinte “Portugal Glorioso…” e “Vida do glorioso S. João da Cruz…”. Em 1728 “Historia da vida…de S. Fernando, rei de Castela e Leão…”. A “Crónica do mui alto e muito esclarecido príncipe D. Sebastião” foi dada à estampa em 1730. Escreveu ainda sobre Rodrigo Dias de Bivar, herói espanhol, e em 1735, além de “Epítome…da vida e virtudes…do prodigioso português Santo António de Lisboa…” publicou a obra que o tornou mais conhecido “Crónica de el-rei D. Pedro I de Portugal…”. Em 1737 publicou  “Portugal cuidadoso e lastimado com a vida e perda do Senhor D. Sebastião” e por último, em 1742, “Retrato do Purgatório e suas preces…”. Escreveu Ruy Barbosa de Oliveira (1849-1923), prestigiadíssimo intelectual brasileiro, que  Pereira Baião «era tão profundamente instruído na historia portuguesa, que referia todos os sucessos de que ela se compõe sem abrir um livro, podendo restitui-la de memória, se se perdesse”.

Da dedicatória  a D. João V no "Portugal Cuidadoso..."


À semelhança do que aconteceu com outros “historiadores” do seu tempo, as suas obras contêm, por vezes, elementos fantasistas e lendários, ressalvando-se a Crónica de D. Pedro onde há preocupações de isenção e rigor. No entanto, pelo indelével lugar que ocupou no  mundo das letras e mesmo da história,  merece com toda a justeza fazer parte da galeria dos penacovenses ilustres.

                                                                                                                                     David Almeida


[1] É com base nos textos do Professor Nelson Correia Borges, publicados no Notícias de Penacova, em 1957, que elaboraremos este artigo.
[2] O título, ao jeito da época, é o seguinte: “PORTUGAL GLORIOSO E ILLUSTRADO COM A VIDA E VIRTUDES DAS BEMAVENTURADAS RAINHAS SANTAS SANCHA, THERESA, MAFALDA, ISABEL E JOANA. BREVE NOTICIA DOS SEUS MILAGRES, de seus cultos e Trasladações. COM HUM DISCURSO NO FIM SOBRE AS PARIDADES das Sagradas Religiões Dominica, e Franciscana, ditas de Coimbra e felicidades do mez de Outubro”
[3] “Presbítero do Hábito de S. Pedro” era o  nome que se dava aos padres seculares.

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