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CARTA ABERTA - O Mundo atropelou e esmagou a Marta



Sr. Diretor, revoltada com a situação da minha filha, solicito a V. melhor atenção e divulgação do seguinte testemunho:

Marta Sofia Borges Fonseca, de 40 anos, mãe de uma criança com 12 anos, que sofre de Deficiência Neurosensorial profunda (vulgarmente designada por surda-muda), está sem casa, sem trabalho, sem saúde e sem capacidade para exercer a sua actividade, sem auto-estima, sem subsídio de desemprego, sem RSI (Rendimento Social de Inserção), sem nada!

Apenas problemas! A desumanização no Centro Social e Paroquial de Lorvão

A Marta sente-se esmagada pelo mundo que a atropelou e a rejeita. Trabalhava no Centro Social e Paroquial de Lorvão, onde sofreu um acidente de trabalho, em julho de 2013, com luxação do ombro. Queixou-se, mas como é surda-muda, os responsáveis do serviço alegaram que não a entenderam e obrigaram-na a continuar a trabalhar, sem qualquer alívio das tarefas.

Ao fim de uma semana e perante a rotura total das forças, a Marta cedeu, lavada em lágrimas!

Foi necessária a intervenção da mãe de Marta, que serviu de intérprete junto da Direção da instituição empregadora (que se diz de Solidariedade Social) para eles compreenderem o problema, negando-se nessa altura a participarem ao Seguro, por já ter passado uma semana.

Foi operada uma e outra vez!

A gravidade da lesão e a demora para ser tratada, contribuíram para que o resultado fosse quase nulo, que se espelha nos Relatórios Médicos que coleciona e que recomendavam que tivesse trabalhos melhorados.

De volta ao trabalho, o mau trato foi de tal forma desumano, por ter entregue a informação médica que deveria ter trabalhos melhorados, sendo colocada na Lavandaria sozinha, obrigada a cuidar de toda a roupa da Instituição, com as colegas proibidas de a ajudarem e até de falarem com ela.

Com a saúde física debilitada e a ser obrigada a trabalhar naquelas condições, sem conseguir corresponder ao que lhe exigiam, passou ainda a ser vítima de pressão e chantagem para se despedir, a que foi resistindo, até que um dia foi arrastada por um braço, por um membro da direcção, até ao gabinete da Assistente Social, onde foi fechada e lhe puseram uma folha de papel em branco, para ela assinar, para a poderem despedir, até que a Marta entrou em depressão, com um quadro de "reacção depressiva prolongada" com "insónia rebelde, pesadelos (...) alterações mnésicas, ansiedade cognitiva, tonturas, cefaleias, irritabilidade, isolamento social, choro, baixa auto-estima, franca ideação suicida, etc.", onde ainda se encontra, nesta data, a ser seguida em Psiquiatria.

Em Tribunal, lá conseguiu que lhe dessem a carta para ir para o desemprego.

Terminado o subsídio de desemprego em 23 de agosto de 2018, deixou de poder pagar renda de casa e foi acolhida em casa da mãe, que já a apoiava como podia, assim como ao seu neto, de 12 anos, filho da Marta.

Sem qualquer rendimento, requereu o RSI. Foi-lhe negado, porque vive em casa dos pais e para a fórmula de cálculo entram os rendimentos de quem a acolheu. É o Mundo a rejeitá-la mais uma vez!

Dora Anunciação Borges (mãe da Marta)



7 comentários:

  1. Uma vergonha.... como é possível alguém ligado à paróquia ter atitudes como a relatada..... Já foi comunicado à Diocese? Certamente que o Sr. Bispo e seus adjuntos resolveriam o assunto a contento !

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  2. Dizem-se "Instituições de Solidariedade Social", mas existem mais para encher os bolsos a alguns e garantir certos "poleiros". Uma vergonha. Os pobres e desamparados ficam, vezes demais, do lado de fora desse tipo de solidariedade.

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  3. Vergonha NACIONAL, andamos todos a ser roubados para pagar os luxos e manias de uns quantos, e a sustentar compadrios de amigos e familiares e depois aceitamos de forma silenciosa um CRIME como este... o país está cheio destas situações...O QUE NOS QUEREMOS E BEIJINHOS, ABRAÇOS E SELFIES..... CHEGA

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  4. Sou de Coimbra, mãe de uma menina autista,estou horrorizada! Mas não me surpreende... Tenho muito medo daquilo que o futuro me reserva enquanto família, porque a sociedade consegue ser cruel com quem supostamente mais devia proteger! Felizmente trabalho numa fábrica onde compreendem a condição da minha filha e me facilitam a vida!

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  5. E melhor se informarem se foi mesmo assim, o caso já foi a tribunal.Essa senhora é tão boa que obrigou a filha a deixar o genro uma joia de rapaz e não o deixa ver o proprio filho. E muito mais tinha a dizer mas as pessoas deviam em primeiro informar se e depois comentar.

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  6. Não me surpreende muito pois e a casa que dá cabo do psicológico de qualquer um ....

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