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POESIA - Oh Reconquinho



Comecei a olhar para ti, cá de cima, pela manhã
Amiguinho
Num dia em que estiveste de sol raiado
Com a luz a bater na tua curva ideal
Igual à minha
E a refletir-se no teu areal
Entranhando-se na áurea dos veraneantes
Que por cá vão ficando ainda radiantes
A tua praia aristrocática
Está bonita
Arejada
Emproada
Parecendo-nos mais suculenta desde que falam nela por aí
Ou o Presidente Marcelo tirou uma selfie para ti
Sempre serás um espaço d’encantar
Uma revista enlaçada num cenário de cobiça
A fotografia que te tiro, agora
Mais pela tarde
Capta embevecidos os forasteiros d’outrora
Que pairam no teu bom ar como se fossem fantasmas feitos de doce de amora
Aristas d’antigamente, dizem hoje
Gente que por aí foi sendo diligente
Os miúdos a nadar
Correndo sempre em liberdade
Os biquínis a espraiar
Inquietando sempre, mas sempre, a nossa mocidade
Uns espreguiçavam-se
Outras enguiçavam-se
Já é noite, entretanto e agora estou na Pérgola
Não estão cá só as caras d’antigamente
Nem só as pessoas da minha juventude
Está cá Povo inteligente
Que gosta de ouvir poesia
E que vem absorvê-la, criticá-la, senti-la
Povo
Que sabe o que é ter Penacova na sua fantasia
Que te ama, Reconquinho, como se fosses uma grande epifania
Que te vai vendo mudar
Ao sabor do tempo
Sem já seres só local mítico ao relento
Gente
Que te discute só por te querer bem
E que sonha com uma ponte
Fixa
Fixe
... Que não saia da fotografia no Inverno
... Nem se escape como a enguia quando foge do inferno!

Luís Pais Amante (texto e foto)

Preparando a Tertúlia da Poesia que aconteceu no passado dia 17, na Pérgola Raul Lino, em Penacova







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