ILUSTRES [DES]CONHECIDOS - Alípio de Oliveira Sousa Leitão (1839-1906) Penacova Actual PENACOVA ACTUAL - Jornal de Penacova

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ILUSTRES [DES]CONHECIDOS - Alípio de Oliveira Sousa Leitão (1839-1906)


Alípio de Oliveira Sousa Leitão nasceu em Paredes, Oliveira do Mondego, no dia 23 de Abril de 1839, filho de David Ubaldo da Silva Leitão e de Maria do Espírito Santo Sousa de Almeida Leitão. Casou, em 1863, com Maria da Pureza Correia de Almeida, filha do doutor em Direito, Presidente da Câmara e Administrador Concelhio, Joaquim Correia de Almeida.

Alípio Leitão viria a ser sogro do Dr. Luís Duarte Sereno, Juiz e Governador Civil, do Dr. Alípio Barbosa Coimbra, médico e fundador da fábrica Estrela d’ Alva e ainda do Dr. Júlio Ernesto Lima Duque, coronel-médico e deputado. Alípio Leitão era irmão de Alberto Leitão que, como sabemos, também foi presidente da Câmara de Penacova.

Frequentou a “escola régia” em Penacova e fez “preparatórios” em Coimbra. Aí se formou na Faculdade de Direito em 1862-63, tendo como colegas os futuros ministros Saraiva de Carvalho e Veiga Beirão.

Depois da formatura regressou a Penacova onde além de exercer advocacia  foi nomeado Sub-Delegado do Procurador Régio. Em 1863 foi eleito vereador da Câmara Municipal de Penacova ao mesmo tempo que José António de Almeida. Em 1864 assumiu o cargo de Presidente da Câmara, sendo reeleito no ano seguinte para o biénio 1866-67. No ano de 1869 foi nomeado Administrador do Concelho, cargo que exerceu até 1876. Nesse ano, foi nomeado Conservador Privativo do Registo Predial e em Dezembro de 1905 foi promovido a Juiz-Auditor e colocado em Évora, não chegando a assumir o cargo por motivo de doença que o vitimaria no ano seguinte.

Por duas vezes recebeu louvores do Ministério do Reino e obteve carta de Conselheiro em 1886. Desde 1880 até à sua morte chefiou em Penacova o Partido Progressista. Tomou posse como Deputado da Nação, pelo círculo de Penacova, na sessão do dia 7 de Janeiro de 1879 que aprovou os pareceres das comissões de verificação de poderes, conforme exarado no “Diário da Câmara dos Senhores Deputados”.

Quando em Janeiro de 1864 assumiu a presidência da Câmara – refere a imprensa local – Penacova, vila e concelho, achava-se como a haviam deixado os séculos XVII e XVIII. Enquanto Presidente da Câmara a ele se deve principalmente a construção dos Paços do Concelho, a Escola de Gondelim e o traçado da Estrada Real nº 48, implicando a construção da ponte sobre o Mondego.

Os Paços do Concelho foram inaugurados em 1 de janeiro de 1869. Em 1875 irá ser criada a Comarca por despacho de Barjona de Freitas, depois de o pedido ter sido feito em 1867 por Alípio Leitão. O novo edifício permitiu assim a instalação do Tribunal, da Câmara e demais repartições públicas. Entretanto, o ministro Saraiva de Carvalho, seu amigo e compadre, assinou a Portaria autorizando a construção da Ponte de Penacova. Sob influência do Partido Progressista contam-se outras obras como a estrada Penacova-Botão, escolas, fontanários e telégrafo.

Por ocasião da sua morte em 1906, o “Jornal de Penacova” escreveu: “espírito esclarecido e conciliador, político fino e perspicaz, coração bondoso, alma sempre propensa ao bem e à virtude, carácter íntegro e austero, usou sempre das gerais simpatias não só em todo o concelho como em todo o distrito (…) desfrutando, pois, de um enorme prestígio político, pôs todo o seu valimento ao serviço do progresso deste concelho.”

O Conselheiro Alípio Leitão morreu em 27 de janeiro de 1906, vitimado por uma bronquite crónica que se agravara. Já viúvo, encontrava-se em casa do seu genro, Dr. Luís Duarte Sereno. Aí decorreu o velório, tendo os Ofícios de Corpo Presente decorrido na Igreja Matriz de Penacova e o funeral, onde participaram cerca de 3 000 pessoas, sido efectuado para o Cemitério da Eirinha. Nesse dia, a bandeira nacional esteve a meia haste e o comércio local fechou as portas.

No funeral incorporaram-se o governador civil de Coimbra, Doutor António de Pádua, o Presidente da Câmara, Dr. José Albino Ferreira (que representou também o Deputado Oliveira Matos) e o Administrador do Concelho, António Maria Ferreira Soares. Muitas outras personalidades locais, distritais e nacionais, estiveram presentes, entre muitos outros, o Dr. Fernandes Costa, o Dr. Sílvio Pellico, o Dr. Cunha Vaz e o Dr. José Pereira de Paiva Pitta, ilustre lente da Universidade de Coimbra que recebeu a chave da urna.

Todas as Câmaras Municipais e Centros Progressistas dos concelhos do Distrito de Leiria enviaram mensagens de pesar, dado que o Dr. Artur Leitão, filho de Alípio Leitão, era à data Governador Civil daquele distrito.

O “Jornal de Penacova”, que tinha como director Artur Leitão, dedicou quatro páginas à figura de Alípio Leitão e também a imprensa de âmbito nacional e regional noticiou a morte deste ilustre penacovense: o “Correio da Noite”, o “Diário de Notícias”, o “Século”. o “Conimbricense”, o “Tribuno Popular”, a “Comarca de Arganil” e o “Portomozense”, entre outros.

A Câmara dos Deputados aprovou um voto de sentimento, tendo Oliveira Matos usado da palavra para enaltecer a figura do antigo deputado Alípio Leitão, que ali tomara assento, pela primeira vez, 27 anos antes.

Também a Câmara de Penacova, presidida por José Albino Ferreira, aprovou um “voto de sentimento”, que a dado passo referia que o Conselheiro Alípio Leitão pertencera a “uma geração notável que honrou este concelho dotando-o com uma plêiade de nomes ilustres que pelo seu talento muito se distinguiram nas letras, na ciência e na política.”

 David Gonçalves de Almeida


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