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ILUSTRES [DES]CONHECIDOS - Mário da Cunha Brito (1890-1953)


Não é, de modo algum, desconhecido, principalmente das gentes do Alto Concelho. No entanto, como em relação a tantos outros penacovenses ilustres, muitas vezes apenas habita a memória das pessoas o som de um nome ou um facto difuso relacionado com as suas vidas. Mário da Cunha Brito bem merece ser rememorado enquanto pioneiro, empreendedor e grande benemérito.

O assento de baptismo, que pode ser consultado em http://pesquisa.auc.uc.pt, atesta-o: nasceu no dia 2 de Junho de 1890 e foi baptizado no dia 15 do mesmo mês. Filho de Beatriz da Conceição, moradora no Paço Velho, e de pai incógnito. Neto materno de António de Brito e de Maria da Cunha. Foram padrinhos, José Henriques dos Santos e Elísia Ribeiro dos Santos. Ao acto presidiu o Pároco Encomendado, Manuel Lopes Vicente.

Por volta dos 15 anos, depois de ter sido empregado de comércio na vila de Penacova, emigrou para Angola onde casou, em 1912, com Zenóbia Vieira de Brito, filha e neta de “honrados colonos oriundos do Algarve”, conforme refere a nota biográfica que se encontra no site da Fundação Mário da Cunha Brito. Teve dois filhos, entre eles, Maurício Vieira de Brito, de quem mais à frente falaremos. 

Homem de negócios tornou-se sócio-gerente de uma importante empresa comercial e agrícola na região de Novo Redondo e Amboim. 

Foi nessa região que fundou, em 1929, a “Firma Mário Cunha Lda“ que chegou a ser detentora de mais de 50 fazendas ou roças voltadas para a produção e exportação de café e palmar. Para consumo dos mais de 30 000 trabalhadores, produzia-se ainda milho, feijão e os mais variados produtos destinados à alimentação. Todo este potentado económico implicava a existência de instalações administrativas, médicas, sociais e educativas em cada uma das “fazendas/sede”. Na fazenda de Nova Ereira, havia inclusivamente um Hospital com farmácia, laboratório de análises, salas de parto e operações cirúrgicas, várias enfermarias e quartos com uma capacidade de mais de cem camas. 


Pioneiro, empreendedor e benemérito, não esqueceu as suas origens. Mário da Cunha Brito pensou criar em S. Pedro de Alva uma obra para dar assistência médica e social a toda a população da sua terra natal e freguesias vizinhas. 

Maurício Vieira de Brito, continuador
da obra de seu pai, Mário da C. Brito. 
Morrendo relativamente novo, não concretizou esse ensejo. Coube ao filho, Maurício Vieira de Brito (1919-1975) dar corpo à Fundação Mário da Cunha Brito, criada em 4 de Março de 1959. Licenciado em Agronomia pelo Instituto Superior de Agronomia de Lisboa dirigiu o “império empresarial” criado por seu pai. É pertinente referir que presidiu à Direcção do Sport Lisboa e Benfica, desde 1957 até 1962, sendo ainda hoje recordado como um dos melhores presidentes que passaram pelo Clube. No seu mandato foi construído o 3º Anel e a iluminação do anterior estádio. 

Em S. Pedro de Alva, além da obra da Fundação, mandou restaurar os altares da Igreja Matriz e da Capela de Santo António, além de outros melhoramentos,  e contribui com avultadas verbas para a abertura da rede de distribuição domiciliária de água a S. Pedro de Alva e freguesias circunvizinhas. 

Em Junho de 2009, nos 50 anos da Fundação, realizou-se um Jantar de Gala onde o administrador delegado, Ernesto Coelho, enalteceu a vontade de Mário da Cunha Brito e, principalmente, a generosidade do seu filho, Maurício Vieira Brito, que tornou possível a existência de «um hospital apetrechado do melhor equipamento existente à época, com bloco operatório, consulta externa e interna, maternidade, cantina escolar e casa de formação para raparigas». 

Ainda, no dia da inauguração do hospital (31 de Maio de 1959), Maurício Vieira de Brito entregou ao presidente da Câmara Municipal (Dr. Álvaro Barbosa Ribeiro) uma grande quantia* de dinheiro para comparticipação nas obras de abastecimento de água a São Pedro de Alva e mais 32 povoações, sendo a primeira zona do concelho com este equipamento. 

Hoje, a Fundação Mário da Cunha Brito presta os seguintes serviços: Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (Lar de Idosos e Residência), Centros de Dia (S. Pedro de Alva e Oliveira do Mondego), Clínica de Fisioterapia e Medicina de Reabilitação e Creche. Presta ainda Serviço de Apoio Domiciliário a idosos às populações de Oliveira do Mondego, Paradela da Cortiça, São Paio do Mondego, São Pedro de Alva e Travanca do Mondego. 

Mário da Cunha Brito, um dos maiores, porventura o maior, benemérito do concelho de Penacova, faleceu com 63 anos de idade em Lisboa, no dia 4 de Dezembro de 1953.

➤ David Gonçalves de Almeida

* P.S. : De acordo com Alfredo Fonseca (Os Sãopedralvenses da Diáspora) foram mil contos (um milhão de euros). Por sua vez, o Hospital da Fundação terá custado 6 000 contos.

1 comentário:

  1. Mil contos serão, se os meus cálculos estão bons, cerca de cinco mil Euros. Um milhão de Euros são mais de duzentos mil contos. Grande abraço.

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