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PENACOVENSES PELO MUNDO - Investigador de Cácemes, especializado na gestão sustentável de destinos turísticos, sonha com a possibilidade de regressar a Portugal


Bruno Miguel Ferreira é natural de Cácemes, mas reside há cerca de cinco anos e meio nos Estados Unidos da América (EUA), na cidade de Raleigh, capital do estado da Carolina do Norte. Doutorou-se recentemente em Gestão de Parques, Recreação e Turismo pela North Carolina State University (NC State), especializando-se na gestão sustentável de destinos turísticos. Participou em inúmeros projectos de investigação na Carolina do Norte, México e Colômbia, tendo apresentado os resultados da sua pesquisa em conferências científicas de referência na Geórgia, Colorado, Maryland e Flórida (EUA), Canadá, Costa Rica, Brasil, Austrália e Portugal. O Penacova Actual falou com o investigador.


Penacova Actual: Como surgiu a oportunidade de fazer um doutoramento no EUA?

Bruno Miguel Ferreira: Estava a trabalhar no Brasil, num projecto de desenvolvimento comunitário. A certa altura, recebemos a visita de um investigador da NC State que vinha avaliar a possibilidade de aplicação de um projecto em parceria com a Organização Não-Governamental (ONG) onde trabalhava. Por coincidência, este cientista pretendia recrutar um estudante de doutoramento com as minhas características para integrar um projecto de investigação aplicada na Carolina do Norte…Foi uma questão de passar nas provas de aferição e de obter o visto de residente temporário.

PA: Como foi a adaptação aos Estados Unidos?

BM Ferreira: A adaptação ao país foi fácil, talvez por não ter sido a minha primeira experiência no estrangeiro. O facto de já ter um bom domínio da língua inglesa também deverá ter ajudado, embora ainda hoje tenha dificuldade em entender o southern drawl, ou seja, a pronúncia marcada dos estado-unidenses do sul. Quanto à adaptação ao programa, no início foi bastante difícil devido ao volume de trabalho e às elevadas expectativas colocadas nos doutorandos. No entanto, a cultura competitiva que encontrei na universidade obrigou-me a ser melhor e mais produtivo enquanto investigador.

 PA: Qual é o foco da sua pesquisa?

BM Ferreira: Em linhas gerais, o meu trabalho centra-se no desenvolvimento local endógeno por via do microempreendedorismo em turismo. Em particular, na minha dissertação proponho um modelo de planeamento turístico que alavanca as atracções de cada destino, gerando oportunidades económicas para os microempreendedores locais, através de parcerias simbióticas entre estes e o sector hospitaleiro formal, sem esquecer as estruturas governativas locais. Testei o modelo no turismo gastronómico e no agroturismo na Carolina do Norte, com métodos quantitativos, e ainda no turismo de aventura e no turismo cultural no México, com recurso a métodos qualitativos. Como resultado de ambos os estudos, sugiro a criação de produtos turísticos que combinem a oferta mais formal e tradicional com experiências únicas locais proporcionadas por microempreendedores, o que contribui para um destino mais competitivo e para uma distribuição mais justa das receitas do turismo.

PA: Quais são os planos para o futuro? Pretende regressar a Portugal?

BM Ferreira: Com certeza que sim. O meu desejo será sempre voltar e contribuir para o desenvolvimento sustentável da indústria do turismo em Portugal. É preciso perceber que, de acordo com o último relatório da Organização Mundial do Turismo, o número de chegadas internacionais no nosso país mais do que triplicou nos últimos oito anos, com consequências sérias do ponto de vista social e também ambiental, em especial nos dois ou três destinos mais procurados. Apesar disso, é uma excelente oportunidade para a promoção do interior rural e para o fomento do empreendedorismo, considerando que o país está na moda, que a capacidade de acolhimento dos grandes centros está prestes a ser atingida, e ainda que um número assinalável de turistas procura, incessantemente, experiências autênticas. Note-se que o modelo desenvolvido implicou o estudo de mais de 200 propriedades agrícolas e o acompanhamento longitudinal de aproximadamente 50 agricultores.
O Portugal de hoje seria o contexto perfeito para aplicação de várias medidas que proponho no meu estudo, pelo que faria todo o sentido trabalhar com as empresas, as universidades, as autarquias e os restantes níveis da administração do Estado.
A reflexão está feita, é chegado o momento de actuar.


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