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COVID 19 - Autoridades em alerta com casos de abusos de crianças




O encerramento das escolas e ATL por causa da pandemia revelou ser uma dor de cabeça inesperada para as autoridades. De acordo com fontes policiais, grande parte dos abusos sexuais que ocorriam em contexto doméstico era denunciado pelas vítimas aos seus professores e educadores de infância. 

Hugo Franco - Jornalista do Expresso

Mas com os estabelecimentos de ensino encerrados, os menores ficaram sem ninguém de confiança a quem recorrer. “As crianças estão mais desprotegidas e como estão fechadas em casa não conseguem pedir ajuda, sobretudo as que têm até 8, 9 anos”, alerta Carla Ferreira, gestora técnica da rede CARE, da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

Ao contrário dos adolescentes, os mais novos não têm acesso às redes sociais, que, de acordo com esta responsável, têm servido de canal alternativo para pedir socorro. Carla Ferreira apela aos vizinhos para estarem mais atentos ao que se passa à sua volta e a denunciarem às autoridades quando têm suspeitas deste tipo de crimes. “Eles podem ser a tábua de salvação destas crianças.” A APAV e a Polícia Judiciária criaram já uma linha de apoio para estes casos.

Em poucas semanas, o novo coronavírus fez disparar um outro crime, o das burlas online, sobretudo nas compras com o cartão MB Way. “Os burlados não dominam este tipo de transações e acabam por passar os dados pessoais a terceiros”, revela uma fonte da PSP. As horas seguidas passadas em casa fazem multiplicar as compras online e também as hipóteses de alguém ser vítima destes esquemas. As autoridades alertam ainda para os cuidados redobrados a ter com os SMS, e-mails e WhatsApp com anexos duvidosos.

A covid-19 pode vir a gerar mais desemprego e insatisfação e a fazer aumentar os furtos em estabelecimentos comerciais. Mas até ao momento não há indícios desse fenómeno. “As pessoas ainda têm dinheiro na carteira e a despensa cheia”, confidencia o mesmo responsável. Além disso, as entradas nos supermercados estão condicionadas e mais vigiadas, o que faz baixar os roubos. Pelo menos, por enquanto.

Já os assaltos a residências decresceram com o surto. Os prédios estão cheios de gente e a vizinhança mais alerta. “Nesta conjuntura, os assaltantes são mais facilmente apanhados”, diz um inspetor da PJ.

Também o tráfico de droga, seja por via aérea ou por via terrestre, caiu a pique. Isto porque os aviões estão sem passageiros e as ‘mulas’ que transportam estas substâncias ficaram mais expostas. Os recém-criados postos de controlo na fronteira com Espanha também desmotivam os traficantes. Mas há casos de toxicodependentes a passar as fronteiras a pé, nas antigas zonas de contrabando, para ir buscar haxixe e cocaína. “Este negócio pode estagnar, mas os criminosos vão adaptar-se. Estaremos atentos a essas mudanças”, promete um alto responsável da PJ.




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