Últimas Notícias

COVID 19 - Municípios do distrito preparam-se para o pior cenário



Pavilhões transformados em hospitais ou preparados para acomodar forças de segurança, mobilização e prontidão de meios, aquisição de material de proteção e reforço dos procedimentos a ter caso haja um elevado números de mortes. Os agentes e serviços de proteção civil do distrito preparam-se para o pior dos cenários, numa altura em que todos esperamos não ter que o presenciar.

Cátia Vicente – Diário As Beiras

A Proteção Civil, quer ao nível municipal, quer ao nível distrital e nacional, prepara-se para responder a esta verdadeira situação de exceção nunca antes vivenciada equacionando todos os possíveis cenários. Estamos a planear para o pior cenário pela experiência que vamos tendo do mundo e do que vai infelizmente acontecendo noutros países”, afirma Carlos Luís Tavares, comandante distrital de operações de socorro de Coimbra.

E o que é o pior cenário? “Desde logo lidar com um número significativo de mortes, em particular na população mais idosa, ou uma disrupção funcional por défice de profissionais de saúde e outros cuidadores bem como eventualmente operacionais”, explica Carlos Luís Tavares.

Lares de idosos são a maior preocupação

Atualmente, é nos lares de idosos que reside a maior inquietação. “A preocupação por uma possível falta de colaboradores e devido à idade dos utentes”, sustenta o responsável. Apesar de saber que a Segurança Social está a acompanhar a situação, a par com a ação social local e os respetivos responsáveis dos lares, o comandante mostra-se empenhado em fazer chegar soluções a quem mais precisa. “É minha preocupação que os responsáveis dos lares tenham uma bolsa de funcionários, voluntários capazes de responder a uma possível falha de recursos humanos. Ainda ontem coloquei a Segurança Social a falar com os escuteiros como uma possibilidade de apoio”, concretiza.

Todos os agentes de proteção civil se estão a organizar, desde bombeiros, INEM, Cruz Vermelha, que estão na linha da frente, às forças de segurança, depois da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) ter ativado, na última quinta-feira, o Plano de Emergência e Proteção Civil para garantir o “enquadramento de todas as medidas” que já estavam a ser tomadas e para que haja uma “maior liberdade em termos da alocação de serviços financeiros, logísticos e humanos”.

Inimigo invisível

Coimbra está neste momento em alerta amarelo e, além de cada um dos intervenientes estar “minimamente equipado e a criar uma logística de reserva”, também a Comunidade Intermunicpal Região de Coimbra (CIM-RC) está em articulação com a Proteção Civil a “criar uma reserva regional para conseguir dar resposta e assegurar os equipamentos de proteção individual”.

No que respeita a hospitais de campanha, Carlos Tavares assegura que ainda não há nenhum “oficialmente instalado mas há já locais preparados para os receber”.

“Ninguém tem tarefa fácil estamos a lutar contra um inimigo invisível. Estamos imbuídos num espírito de cooperação, ação e planeamento para reduzir e minimizar o mais possível as baixas. No entanto pelo que vimos aqui mesmo ao lado, em Espanha, estamos perante um inimigo muito forte que colapsa vários serviços pelo número de infetados e de mortes”, sublinha o comandante.

Explicando que a Proteção Civil está na “retaguarda” da Administração Regional de Saúde (ARS), o responsável deixa “uma palavra de gratidão e reconhecimento a todos os profissionais de saúde e forças de segurança que estão na linha da frente com todo o risco associado a servir os portugueses e que vão ter dias de muito muito trabalho com desgaste físico e psicológico”.





Sem comentários


Leia as regras:

1 - Os comentários ofensivos não serão publicados.
2 - Os comentários apenas refletem a opinião dos seus autores.