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ENTREVISTA - Pedro Coimbra fala ao Diário de Coimbra ao fim de quatro mandatos à frente da Federação do PS de Coimbra

Entrevista Oito anos e quatro mandatos depois, chega ao fim o caminho de Pedro Coimbra na Federação do PS. Sai com o sentimento de quem conseguiu alcançar resultados históricos para o partido e de quem se empenhou em projectos estruturantes para a região que acredita que se vão concretizar, mesmo aqueles dos quais se fala há décadas


Margarida Alvarinhas - Diário de Coimbra
  
Oito anos na presidência da Federação de Coimbra do PS, quatro mandatos. Como principal nota que salta à vista são os números: 12 câmaras em 17, um feito nunca antes conseguido pelo partido. Foi a sua principal conquista?

Pedro Coimbra: Há dois objectivas essenciais para o desempenho da função que tenho exercido como presidente da Federação, com duas dimensões diferentes. Uma são as melhorias das condições de vida dos nossos cidadãos. A outra a que avalia o trabalho politico no distrito de Coimbra e essa é um dimensão que tem a ver com os resultadas eleitorais. O Partido Socialista durante estes anos conseguiu obter no distrito de Coimbra resultados absolutamente excepcionais. As eleições autárquicas não foram as únicas com resultados excepcionais mas destacam-se das outras porque é aqui que o presidente da Federação tem um papel mais empenhado em conjugação de esforços com muita gente. Tivemos, em 2013, uma subida de nove presidências de câmara e de nove presidências de Assembleia Municipal para 12 Câmaras e Assembleias Municipais. Nas eleições autárquicas de 2017 mantivemos o número de presidências, mas aumentámos o número de votos e número de mandatos autárquicos. Os resultados foram muito acima da média nacional do PS e foram o melhor resultado de toda a região Centro e o melhor do país. O distrito de Coimbra contribuiu de forma decisiva para o grande resultado autárquico do PS. Recordo que há uns anos no distrito de Coimbra havia quatro municípios do PS, hoje há 12 em 17. Batemos todos os recordes de resultados autárquicos. Também tivemos nas eleições legislativas de 2019 um excepcional resultado, o segundo melhor resultado no país do PS. Mais de três pontos percentuais acima da média nacional, o que nos deu em Coimbra uma maioria absoluta no número de deputados: elegemos cinco deputados em nove que tem o círculo eleitoral. Nas Europeias também tivemos resultados acima da média nacional que nos permitiu preparar as legislativas com outra força.

Falava na melhoria das condições de vida das populações. Há projectos pelos quais se tem vindo a debater e que contribuiriam decisivamente para esta melhoria, como o IP3, a nova maternidade, o Sistema de Mobilidade do Mondego, entre outros. Continuam a ser causas por alcançar.
A melhoria das condições de vida das populações é verdadeiramente a motivação de fazermos política. Faço um balanço muito positivo destes anos, sobretudo daquilo que foram destes quatro anos de governação do PS e do Governo liderado por António Costa. Naturalmente não está tudo resolvido, se estivesse a política não faria sentido. Mas há que reconhecer que nestes anos foram lançadas uma série de soluções para problemas antigos da nossa região e cuja solução está a ser implementada. Importa agora concretizar.
  
Exemplos?
O IP3 é torna das estradas mais movimentadas do país, há muito tempo devia ter sido requalificado e vários governos foram responsáveis por este adiamento. O Governo de António Costa na última legislatura apresentou uma boa solução para o IP3. Não é a melhor solução, mas é uma boa solução, desde que se concretize. É um investimento de 134 milhões de euros em obra na plataforma rodoviária, mais oito milhões de euros em obras de estabilização de taludes. Investimento de 142 milhões de euros para requalificar o IP3. Vai trazer ao IP3 o que é necessário: condições de segurança para quem circula e melhores condições de mobilidade. A solução apresentada, com troço em auto-estrada sem portagens entre Coimbra e Penacova e entre Foz do Dão e Viseu, sendo que o troço entre Penacova e Foz do Dão é uma requalificação do traçado existente que está em curso. Acredito que nos próximos anos haja transtorno no IP3, fruto deste investimento, mas acredito que esse transtorno é para melhoraras condições. Dentro das boas noticias, o IP3 é uma excelente notícia que aguardava solução há décadas, como também é uma excelente notícia o Sistema de Mobilidade do Mondego, abandonado há décadas. Foi apresentado pelo Governo anterior uma solução de mobilidade, que não é em ferrovia, é numa solução de metrobus, mas é uma solução digna que resolve o problema da mobilidade das populações afectadas, ambientalmente sustentável e permite uma flexibilidade muito maior nas linhas urbanas. É uma solução que resolve bem o problema e que está em concurso, há dinheiro no Orçamento de Estado e fundos europeus. Tal como o IP3, o Sistema de Mobilidade do Mondego, é ver para crer, mas tenho grande expectativa e confiança que estas duas soluções vão ser implementadas, Ainda nos projectos importantes para a região, saliento que houve também nesta última legislatura, o relançamento do projecto de regadio do Baixo Mondego, projecto essencial abandonado durante anos; a melhoria das condições de acessibilidade ao porto da Figueira da Foz; o novo centro de saúde da Fernão de Magalhães a melhoria de algumas estradas nacionais, como a EN230 no concelho de Oliveira do Hospital, e a EN342 em Arganil. Foi possível incluir o IC6 no Plano Nacional de Investimentos da próxima geração de fundos comunitários. São vários exemplos nos quais me empenhei, num esforço colectivo com autarcas e outros dirigentes do PS.


Mas há projectos sem boa nem má solução e pelos quais tem lutado.
Há muta coisa para fazer e a maternidade será um dos grandes desafios. Praticamente desde que nasci que ouço falar da nova maternidade. Ela ainda está por fazer, mas é verdade que neste momento há uma grande vontade política da Governo de a fazer. Tem enquadramento financeiro, porque o investimento resultará de capital estatutário do CHUC e de fundos comunitários para fazer face ao remanescente. Ela é absolutamente essencial e é preciso ultrapassar urgentemente a questão da localização. Coimbra não se pode perder mais nessa discussão. Foi encomendado um estudo técnico sobre a localização da matelrnidade e aguarda-se que seja divulgado. É uma decisão política que tem de ser assente num criterioso estudo técnico e eu quero conhecer bem o estudo técnico que indicará o caminho aconselhável. O que é fundamental é que a nova maternidade assegure a melhor resposta de saúde às crianças e mães, não é se há ou não estacionamento. Coimbra não pode perder-se mais em discussões estéreis porque andamos há 40 anos a defender a maternidade. É preciso tomar decisões e fazê-la.

Regionalização sim?
Sim e não. Sou regionalista convicto, mas é preciso perceber qual a melhor oportunidade para que um processo de regionalização possa ser implementado. Nunca poderá avançar sem um referendo. Foi matéria já referendada há muitos anos Aquele que é o compromisso do actual Governo é um passo importante, que é passar o presidente da CCDR para o método de eleição. Vem acrescentar maior legitimidade e maior responsabilidade.

O que é que correu menos bem nestes anos?
O que correu menos bem, ou os momentos mais difíceis dos mandatos, foram dois, em dimensões diferentes. Numa dimensão pessoal, foi a perda de um amigo que me acompanhou desde sempre, o Manuel Claro, que pertencia à minha equipa próxima, que era um amigo próximo, dedicado e empenhado, e o seu falecimento em situações trágicas foi um momento difícil. Do ponto de vista político e humano, foram os incêndios de 2017. Esse sim, foi um momento muito difícil, vi pessoas a morrerem perto de mim, vi vidas e empresas destruídas. Foi, seguramente o momento mais difícil e emocionalmente forte dos mandatos. O trabalho de recuperação do território obrigou a um empenho muito grande de autarcas, membros do Governo, deputados e outros.

O chamado processo da falsificação de fichas para inscrição de militantes no PS, com vista a apoiar a sua candidatura nas eleições para a liderança da distrital acabou por ser a/uma mancha desta liderança, apesar de não estar envolvido?

Essa é uma questão menor. A questão das fichas também tem duas dimensões. Tem uma dimensão política que vale o que vale, que apenas serviu de arma de arremesso de alguma gente menor. Tem também a dimensão da justiça, em que todos os processos e toda a base de dados do PS que tem mais de 8.000 Saltos foi passada a pente fino e foram identificadas cerca de 20 mal inscrições que, ao contrário do que passou para a opinião pública, não seriam fichas falsas, seriam fichas com algumas irregularidades, nomeadamente até moradas. Tudo isso foi corrigido.

Círculos uninominais em nome da qualidade da nossa democracia

Uma maior aproximação entre eleitos e eleitores é um desafio e a votação uninominal que tem vindo a defender é uma via.

Há muitos anos que sou defensor dos círculos uninominais. Admito que possa haver um círculo nacional onde fique representado o território no seu todo, mas que passemos a ciclos uninominais onde a proximidade entre o eleito e o eleitor é maior e onde o eleitor, quando vai votar para a Assembleia da República vota no deputado que acha que o representa. E isso traria uma muito maior responsabilização dos eleitos perante os seus eleitores. Penso que esse seria um passo importante no aprofundar da nossa democracia e um passo importante para ajudar a combater o distanciamento entre eleitos e eleitores. Eu não sinto tanto isso porque ando frequentemente no terreno e naquilo que a mim diz respeito, eu cultivo essa proximidade. Quando vamos votar votamos numa lista fechada e até pode-mos querer votar naquela lista por algumas razões mas reconhecer que aquela lista não nos satisfaz, por isso sou claro defensor dos círculos uninominais, admitindo um círculo nacional para que possa estar representado o país num todo, porque o país é só um e deve ter a mesma representação um território de baixa densidade e um território de alta densidade. Mas a conciliação entre o círculo nacional e os círculos uninominais que eu sou defensor traria uma maior proximidade entre eleitos e eleitores, maior responsabilização, maior prestação de contas e ajudaria a melhorara qualidade da nossa democracia.

Candidato à Câmara? Decisão “a seu tempo”

Três mandatos como presidente da Assembleia Municipal de Penacova que também se aproximam do fim, com a particularidade de ser também o fim da era Humberto Oliveira, que não se pode recandidatar no município. Seria o passo normal para si..

Tenho muito gosto em ser presidente da Assembleia Municipal de Penacova a terra onde nasci e onde me ligam muitos laços familiares, muitos laços de amizade, mas não faço planos nem a longo nem a médio prazo. Agora termino mandato como presidente da Federação de Coimbra do PS, levarei o meu mandato como presidente da Assembleia Municipal até ao fim, continuarei a exercer o meu mandato na Assembleia da República e a seu tempo verei se posso ser útil noutra função, verei se tenho motivação para as exercer. A seu tempo tomarei as decisões.


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