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ILUSTRES [DES]CONHECIDOS - João Martins da Costa (1921-2005)


João Martins da Costa nasceu em Coimbra em 28 de Junho de 1921. Filho de pais penacovenses, José da Costa e Cacilda Martins.
Cursou Pintura na Escola de Belas Artes do Porto (1939-1948), tendo-se diplomado com a classificação de 18 valores.
Durante o curso, foi discípulo de Dordio Gomes e de Joaquim Lopes. Participou na 8.ª Missão Estética de Férias (Santarém, 1944).
Foi distinguido com a 2.ª medalha e uma bolsa de viagem José Malhoa, no Salão da Primavera da Sociedade Nacional de Belas Artes (1946). O prémio pecuniário permitiu-lhe fazer uma viagem de estudo a Espanha, durante a qual executou trabalhos que depois expôs no Porto.
Obteve ainda uma bolsa do Centro de Estudos da Guiné (1947) para viajar pela ex-colónia e pintar temas locais, que exibiu em Bissau, no Porto e em Lisboa.
Nos anos 50 realizou viagens de estudo a Paris (1950) e a Itália (1952-1955). Fez esta última viagem na qualidade de bolseiro do governo italiano e do Instituto para a Alta Cultura. Frequentou as academias italianas de Belas Artes de Roma, Ravena e Florença, desenvolveu a técnica da pintura mural e produziu estudos de paisagem que, mais tarde, mostrou na Galeria António Carneiro (Porto, 1953).
Expôs individualmente no Porto, entre 1945 e 1953, e em Lisboa, de 1947 a 1953. Voltou a expor individualmente em Lisboa em 1960; em 1968 e 1969, na Galeria Alvarez e na Galeria Divulgação (Porto); mais tarde, na Biblioteca do Museu Municipal de Amarante e no Posto de Turismo de Amarante; e, em, 1970, novamente na Galeria Alvarez.
Participou com regularidade nas Exposições de Arte Moderna dos Artistas do Norte (iniciadas em 1945) e esteve representado nos Salões da Primavera da Sociedade Nacional de Belas-Artes (1946 e 1950). Conquistou o prémio Armando de Basto (1946), o prémio António Carneiro (1948) e o prémio Henrique Pousão (1950), nas Exposições de Arte Moderna do SNI, e expôs no I e II Salões dos Novíssimos, organizados pelo SNI no Porto (1959 e 1960).
Integrou a I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (1957) e a Exposição de Pintura Moderna. Algumas obras do Museu Nacional de Soares dos Reis (Amarante, 1958) e fez parte da representação portuguesa na I Bienal do Museu de Arte Moderna de S. Paulo (1951).
Nos anos 70, mostrou a sua arte em exposições coletivas, como, por exemplo, no Levantamento de Arte do século XX no Porto (Museu Nacional de Soares dos Reis, 1975).
Martins da Costa também trabalhou em cerâmica, tendo produzido uma decoração para o Palácio dos Desportos (Pavilhão Rosa Mota, jardins do Palácio de Cristal), premiada pela Câmara Municipal do Porto em 1956.
Contudo, dedicou-se essencialmente à pintura mural, tendo realizado decorações para diversos locais e instituições na cidade do Porto: Palácio da Justiça, capela do Colégio Luso-francês, Escola Feminina da Constituição (hoje Escola Básica do 1.º ciclo com Jardim Infância da Constituição), Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis (atual Escola de Hotelaria e Turismo do Porto) e para os cafés Garça Real e Embaixador, na baixa da cidade. Concebeu, ainda, decorações para a Embaixada de Portugal em Roma.
João Martins da Costa foi também professor metodólogo do Ensino Técnico. Em Penacova foi professor da Escola Secundária. Nesta vila  construiu a sua casa-atelier, tendo sido a sua última residência, "no meio das oliveiras e dos bandos de passarada” sobre o Vale do Mondego.
Das obras de Martins da Costa alusivas a Penacova salientam-se: "Penacova - A Ponte" (1945); Nuvens sobre o Vale de Penacova I e II" (1945); "O Vale do Mondego" (1982); "Outono na Serra - Penacova" (1984); "Caminhos Paralelos", no Mirante" (1991); "A Persiana – Penacova " (1991).
Colaborou no restauro da Igreja Matriz onde, em 1976, executou alguns trabalhos de restauro, retocando e envernizando o quadro que representa a padroeira de Penacova, Nossa Senhora da Assunção. As Bandeiras do Rancho Folclórico de Penacova, da Santa Casa da Misericórdia, dos Bombeiros e da Casa do Povo foram por si concebidas.
Colaborou na imprensa local, deixando excelentes crónicas, quer no jornal Nova Esperança quer no Jornal de Penacova.
O primeiro livro dedicado ao pintor João Martins da Costa “Martins da Costa – Contos Vividos” foi publicado em 2016. Editado pela Câmara de Penacova e coordenado por Álvaro Coimbra contou com o apoio da família do pintor. A excelente concepção gráfica pertenceu à OMdesign,  dirigida por Diogo Rocha, neto do artista.
Por sua vez, a primeira exposição retrospetiva sobre a obra do pintor Martins da Costa esteve patente em Matosinhos em 2017. O referido livro foi também, nessa altura, apresentado ao público portuense.

Em 2014, no blogue “Livraria do Mondego”, escreveu Álvaro Coimbra:  “O seu traço sensível e, ao mesmo tempo, firme e exato viajou por cidades como Florença, Porto, Londres, mas na última etapa da sua vida escolheu este cantinho. Pintou-o de vários ângulos, com um olhar muito próprio e deu-o a conhecer ao mundo. Penacova está em dívida para com ele, mas esse reconhecimento deve estar à altura da sua obra.” 

João Martins da Costa faleceu em Viseu no 13 de Abril de 2005.


> David Gonçalves de Almeida

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