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ILUSTRES [DES]CONHECIDOS - Joaquim Augusto de Carvalho (1861-1935)

Palacete Joaquim A.
de Carvalho / Raimunda Martins de Carvalho
Joaquim Augusto de Carvalho, filho de José Joaquim Carvalho e de Bernarda Lopes, nasceu em Penacova no dia 24 de Julho de 1861.

Emigrou muito cedo para o Brasil, onde casou com Raymunda Martins de Carvalho, personalidade que deixou marcas significativas na cultura, principalmente na área musical, em Penacova e na cidade de Coimbra.

De regresso a Portugal, o casal comprou a Quinta de Santo António onde construiu uma luxuosa vivenda, ainda hoje existente e conhecida por Casa de Repouso.

Por altura da sua morte, o jornal “Notícias de Penacova” escreveu que J. A. de Carvalho “distintíssimo amador da música, numa das mais belas dependências da sua famosa vivenda fez construir (…) um belo salão de baile e de concertos, por onde passaram verdadeiras glórias da divina arte de Mozart, em tardes e serões que para sempre ficarão guardados indelevelmente na memória e no coração agradecido dos penacovenses”. Recorde-se que ali se realizou o Sarau de 30 de Maio de 1908, integrado no programa de inauguração do Mirante e onde estiveram muitos nomes grados da elite lisboeta. Seis anos depois, também neste edifício, esteve patente uma exposição do famoso pintor José Campas. O Palacete de Santo António foi, ao longo dos anos,  autêntica “residência artística” de personalidades do mundo das artes.

Ainda no campo da arte e da cultura, é de salientar que foi Joaquim Augusto de Carvalho que, no início da centúria de novecentos ofereceu para a capela de Nossa Senhora da Guia dois altares laterais em talha dourada e também a imagem do Senhor dos Aflitos (que será a imagem bem conhecida dos penacovenses que costumam participar na Semana Santa em Penacova).

Veja-se a notícia de 1902: “ O nosso amigo e abastado capitalista Joaquim Augusto de Carvalho encomendou à sua custa ao eminente escultor Teixeira Lopes, uma nova imagem de N. Srª da Guia que se espera esteja concluída em Maio próximo. Mais uma boa nova para os penacovenses e mais um rasgo de generosidade daquele nosso amigo para juntar aos que já lhe devem a Ermida e Nossa Senhora.” A ele se deveu, pois,  o restauro e enriquecimento daquela capela e o crescimento da Irmandade de Nossa Senhora da Guia.

No campo da política, J.A. de Carvalho afirmou-se, desde muito cedo, como republicano. Participou nas primeiras comissões republicanas ainda antes da implantação da República e foi um dos subscritores do Auto de Aclamação em 6 de Outubro de 1910.

Foi Presidente da Câmara (Comissão Executiva, nomeada pelo Governador Civil) entre Fevereiro de 1912 e Maio de 1913, na sequência da demissão colectiva da comissão precedente, presidida por António Casimiro Pessoa Júnior. Da Comissão presidida por Joaquim Carvalho eram membros efectivos: José Maria de Oliveira, João António de Almeida (irmão de António José de Almeida), José Maria Marques, Manuel Correia da Silva, José Augusto Ribeiro e Clemente Luís Ralha. Quanto a cargos públicos, terá ainda sido do Juiz de Direito Substituto.

Joaquim Augusto de Carvalho era sogro do Dr. Alberto de Castro Pita (casou com a filha América em 1914) e cunhado do industrial e ex- emigrante no Brasil, natural de Travanca, José Pedro Henriques, casado com Maria Augusta Carvalho Henriques.

“Amigo certo do trabalho, senhor de uma inteligência viva e de uma memória de privilégio, dono de um carácter de escol e de um coração afectuosíssimo” – deste modo a imprensa local caracterizou este penacovense ilustre que, vitimado pela doença que nos últimos de vida o reteve em casa, morreu no dia 9 de Janeiro de 1935. Os seus restos mortais repousam em jazigo no cemitério da Eirinha.

                                     > David Gonçalves de Almeida


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