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ILUSTRES [DES]CONHECIDOS - Manuel Marques (1892-1956)


Foi ele um grande. Grande da freguesia de Figueira, grande do concelho de Penacova, grande da Igreja. A Igreja o formou e à Igreja ele deu, numa imolação perfeita e constante, o melhor da sua alma de ouro” – escreveu o correspondente do “Notícias de Penacova” em S. Pedro de Alva, aquando da sua morte em 1956.

Manuel Marques nasceu no dia 22 de Setembro de 1892, em Telhado. Filho de Antonino Marques, natural desta localidade, e de Rosária de Jesus, natural de Agrelo. Casal de “ lavradores”, de acordo com o assento de baptismo, que se realizou em 2 de Outubro do mesmo ano, sendo pároco Eduardo Augusto Rodrigues.

Terminou o curso de Teologia em 1913, em Coimbra. Foi ordenado sub-diácono pelo bispo de Viseu  e diácono pelo bispo de Angola e Congo. Por fim, foi ordenado sacerdote por D. Manuel Luís Coelho da Silva, que tinha entrado na Sé de Coimbra a 15 de abril de 1915.

Depois de ter estado a paroquiar durante três anos, foi nomeado Prefeito e Professor do Seminário, onde se manteve até 1929. Mais tarde viria a ser Director Espiritual daquele Seminário Maior.

A sua actividade pastoral estendeu-se a terras como Assafarge, S. José (Coimbra), Arazede, Almalaguês, Friúmes e Penacova. Em Penacova foi pároco durante cerca de oito anos, capelão do Preventório, que era gerido pelas Irmãs Franciscanas Hospitaleiras, e professor de Moral no Colégio.

O Padre Manuel Marques foi também jornalista. No jornal “Notícias de Penacova” ficou célebre a crónica “Casos &Coisas”, assinada com o pseudónimo de Manuel do Freixo. Neste jornal, dirigido durante muitos anos pelo seu irmão, Prof. Joaquim de Oliveira Marques, acompanhou o ritmo e as notícias da vida local. Também dos jornais diocesanos foi prestigiado colaborador.

Escreveu J.C. Coelho de Sousa, aquando da sua morte: “Sacerdote exemplar que no jornalismo da região deixou forte vínculo temperamental. A sua secção “Casos & Coisas” era lida com viva curiosidade. (…). Vigoroso jornalista, padre incansável, poeta das serranias, cantor da Criação, (…) o seu amor à terra, à natureza pujante, transmitia aos escritos um sabor pastoril. (…) Falava da região com os conhecimentos de topógrafo de valia.” Na mesma linha de pensamento, também o Prof. José Maria Gaspar salientou que “os seus escritos”, eram “serenos e objectivos, naturais como o brotar das fontes e cheios de ruralidade esclarecida e sadia.”

Enquanto padre, dele dirá o colega, Abílio Costa: “sacerdote inteligente, culto e com o dom da palavra escrita e falada”. 

Também José Júlio enalteceu as suas qualidades afirmando que sendo portador de “uma cultura pouco vulgar, semi-oculta na discreta batina” se tornara “admirável no desempenho missionário como Professor, Prefeito e Director no Seminário”.

Faleceu, vitimado pela doença, com 63 anos, em 28 de Janeiro de 1956, no lugar de Gavinhos, na mesma freguesia que o viu nascer e onde fora baptizado.Em Telhado existe uma placa toponímica honrando o seu nome.

No seu funeral incorporaram-se centenas de pessoas, desde crianças do Preventório até altas individualidades da igreja e da sociedade civil. Os Bombeiros de Penacova transportaram a urna, coberta com “o estandarte da música local”,  até à carreta funerária. Representada a Cruzada, a Irmandade do Santíssimo e Santo António. Da vila,  a GNR e  “as pessoas de destaque de Penacova”. De Coimbra, uma “larga representação de sacerdotes e seminaristas” a que se juntaram os Párocos de Penacova e Poiares.

> David Gonçalves de Almeida

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